A Região Metropolitana do Rio de Janeiro só não está enfrentando problemas no abastecimento de água potável devido a algumas medidas preventivas realizadas pelo governo. A revelação foi feita na última quinta-feira pelo diretor da Agência Nacional das Águas (ANA), Jerson Kelman, durante o I Fórum Internacional das Águas, em Porto Alegre.
- Só não há colapso, hoje, no Rio, porque houve um racionamento preventivo. Se não tivéssemos feito essa prevenção, 9 milhões de pessoas poderiam estar sem água - afirmou Kelman, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
O dado foi divulgado um dia após o anúncio de um programa de racionamento de água na região metropolitana de São Paulo, que coloca em alerta as áreas mais populosas do País. Segundo Kelman, o desperdício em todas as instâncias e a poluição dos cursos de água próximos das zonas urbanas estão obrigando as prefeituras a buscarem água potável em lugares cada vez mais distantes.
A poluição dos rios, segundo Kelman, atinge ainda os municípios economicamente.
- O que acontece hoje é que uma cidade 'A' bebe e usa a água de um determinado rio e depois joga essa mesma água, suja, de volta ao curso. Mais adiante, a cidade 'B' gasta uma fortuna para despoluir a água. E assim por diante - explicou Kelman.
O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, disse que o planejamento das ações deve ser feito com a participação dos diversos setores da sociedade. E, mais importante, os reflexos dos empreendimentos nos recursos hídricos devem ser analisados durante a etapa de planejamento, com o objetivo de prevenir danos ao meio ambiente.
Langone citou como exemplo negativo os incentivos dados no passado à suinocultura, especialmente no sul do País. Segundo o secretário, a atividade produz resíduos dez vezes mais poluentes do que os resíduos humanos.
- O governo não considerou os efeitos ambientais dessas medidas. Como resultado, chegou-se a uma situação de calamidade sanitária em alguns casos - disse.
Para o secretário, falta também conscientizar a população sobre seu papel na preservação dos mananciais.
- Ainda não caiu a ficha da sociedade brasileira. As pessoas não conseguem estabelecer uma relação direta entre os resíduos que saem de suas pias e seus vasos sanitários com o quadro de degradação dos rios - completou.
Abastecimento de água nas capitais é ameaçado pela poluição
Quinta, 09 de Outubro de 2003 às 21:25, por: CdB