Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

AAA 9 de Setembro de 2011 - 18h55 Moratória à vista na Grécia; bolsas desabam no mundo

Sexta, 09 de Setembro de 2011 às 13:32, por: CdB

As principais praças financeiras da Europa começaram (na 2ª) e encerraram a semana, nesta sexta-feira, 9, com recuos expressivos em meio a uma nova onda de pessimismo e renovados temores de uma recessão global. A percepção de que a moratória na Grécia parece inevitável agravou o quadro. O pânico nos mercados de ações prenuncia a recaída da economia mundial em uma nova recessão.
O pacote de US$ 447 bilhões anunciado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para combater o desemprego não se revela muito convincente. Além disto, enfrenta obstáculos no Congresso e corre o risco de não ser aprovado.

Fortes baixas

Londres perdeu 2,35%, Frankfurt caiu 4,04%, Lisboa recuou 2,50% e Madri fechou em queda de 4,41%. As bolsas de Nova York também encerram o dia no terreno negativo: Dow Jones caiu 2,69%, abaixo dos 11 mil pontos, a Nasdaq recuou 2,4a% e S&P 500 desvalorizou 2,67%.

Não foi diferente no Brasil. O Ibovespa operou no “vermelho” do início ao fim do pregão, pressionado pela queda em bloco de suas ações. O índice fechou os negócios com baixa de 3,20%, aos 55.778 pontos. O giro financeiro, contudo, foi fraco, de apenas R$ 5,313 bilhões.

Depois de duas altas semanais, o índice perdeu 1,33% entre os dias 5 e 9. No mês, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também acumula baixa de 1,27% e, no ano, cai 19,52%.

FMI pessimista

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, contribuiu para o pessimismo ao reconhecer que os riscos de queda no crescimento em todo o mundo aumentaram e afirmar que os países precisam agir agora, de maneira decisiva e coordenada. Ela defendeu uma ação imediata dos países para evitar uma nova recessão.

A saída do membro do conselho executivo do BCE Juergen Stark, devido a desacordos com a política do banco de comprar títulos do governo da zona do euro para combater a crise de dívida do bloco, derrubou ainda mais o ânimo, num momento em que o papel do BCE é crucial para resolver a crise de dívida europeia.

"É difícil ficar otimista"

As notícias provenientes da Grécia aumentaram o nervosismo. Os analistas já consideram inevitável a moratória no país e informações atribuídas a autoridades da Alemanha dão conta de que o governo Merkel elaborou um plano B de apoio aos bancos para enfrentar o default grego. Uma fonte no Ministério das Finanças da Grécia desqualificou as notícias que circulam no mercado como “lixo”, mas o país parece no fio da navalha, na opinião do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, .

“É difícil ficar otimista com o mercado de ações quando ele enfrenta obstáculos tão consideráveis. O setor bancário continua o algoz”, disse o presidente de vendas da Capital Spreads, Angus Campbell.

"A situação econômica está piorarando. Está mais dependente das políticas monetárias do que nunca. Se os indicadores econômicos continuarem a ser decepcionantes como até agora, não serão boas notícias para os investidores", afirmou um analista à Bloomberg.

Bancos

Os bancos, que possuem significativa exposição a países da zona do euro e geralmente sofrem durante um ambiente econômico de dificuldades, foram os mais golpeados pela crise e não é para menos. Trata-se de uma crise da dívida, construída ao longo de anos de empréstimos de alto risco e pela intervenção dos governos em defesa do sistema financeiro.

Não é de estranhar que o fantasma da moratória na Grécia e em outros países europeus assuste com maior intensidade precisamente os bancos. O índice do setor bancário europeu caiu 4,9%. Os papéis do banco francês Société Générale despencaram 10,6%.

Da Redação, com agências

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