O governo quer responder o mais rápido possível o pedido de informações sobre documentos sigilosos, feito pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. A ideia é não atrasar votação de projeto para que participação de Dilma na ONU não seja prejudicada. O governo quer aprovar o projeto até semana que vem, quando a presidente Dilma Rousseff participará de um debate sobre transparência governamental, em sua estreia na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (EUA).
O requerimento da Comissão de Relações Exteriores do Senado, da qual Collor é presidente, pede que o GSI preste informações que possam colaborar nas discussões sobre o Projeto de Lei Complementar (PLC) 41/2010, que trata sobre documentos considerados sigilosos no Brasil.
Enquanto aguarda resposta, a tramitação do projeto está suspensa, segundo Collor, em reunião da comissão hoje (15). O anunciou desagradou o líder do PT, senador Humberto Costa (PE), que reclamou da demora na votação da matéria. Segundo ele, os líderes partidários assinaram o pedido para que o projeto tramite em regime de urgência constitucional e, portanto, ele não pode ficar preso em uma comissão.
“No nosso entendimento essa é uma interpretação equivocada do regimento [interno do Senado]. Se o projeto tramita em regime de urgência, não pode haver nenhum sobrestamento[interrupção]”, disse Costa.
De acordo com o líder do PT, o governo vai trabalhar para que a resposta ocorra o mais rápido possível, para que não haja ainda mais atrasos. Ele espera que o projeto possa ser votado na próxima semana, assim que houver uma brecha na agenda de votações da casa.
O senador Collor questionou a pressa na votação e classificou o texto enviado pela Câmara dos Deputados como “enlatado”, afirmando que não foi bem discutido e acabou aprovado em votação simbólica. Ele lembrou das reclamações feitas por senadores da falta de tempo para analisar as medidas provisórias enviadas pelo governo e agora também estariam impondo pressa para analisar um projeto de lei importante.
“Se nós não aceitamos isso [falta de tempo] com relação às medidas provisórias, por que vamos aceitar um enlatado desses, que nos foi enviado pela Câmara dos Deputados, com essa premência de votar?”, questionou o senador.
Collor, que também é relator do projeto, discorda dos prazos estipulados pelos deputados para que os documentos considerados secretos e relevantes para a segurança nacional e as relações internacionais do Brasil possam ser mantidos em sigilo. A Câmara impôs prazo máximo de 50 anos para que um documento caia em domínio público e possa ser consultado pela sociedade. Já o relator no Senado quer que o prazo de sigilo possa ser renovado indefinidamente, conforme decisão da comissão criada para analisar caso a caso.
Aprovação
Para o presidente do PT, Rui Falcão, o governo conseguirá convencer os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e José Sarney (PMDB-AP) da necessidade de aprovar a Lei de Acesso à Informação, colocando um ponto final ao sigilo eterno de documentos públicos. Além de Collor, Sarney também é contrário ao tempo máximo de 50 anos, contido no texto do projeto. A decisão afetaria documentos dos períodos em que ambos foram presidentes.
"Eu acho que isso afinal vai ser votado, porque não é admissível que um país como o Brasil tenha documentos protegidos por sigilo eterno. Eu acho que o projeto de lei que vem da Câmara assegura todas as condições para proteger a segurança pública, para fazer uma classificação correta de documentos, mas não se pode conviver com a ideia de sigilo eterno", disse Falcão, que acredita que os senadores, que foram presidente e vice-presidente da República, vão acabar cedendo por serem "... parlamentares afeitos à negociação”.
ONU
"A presidente vai ter que se contentar a falar que o governo é aberto, mas que está faltando uma ferramenta", disse o senador Walter Pinheiro (PT-BA).
Collor rebateu as críticas do senador Walter Pinheiro, negando que sua manobra para suspender a tramitação do projeto que trata da Lei de Acesso à Informação provoque constrangimento a presidente na assembleia da ONU.
Da Redação, com agências
AAA 15 de Setembro de 2011 - 17h30 Governo quer votar Lei de Acesso à Informação logo
Quinta, 15 de Setembro de 2011 às 13:02, por: CdB