O retorno do presidente deposto simboliza o fracasso do golpe que ceifou muitas vidas de valorosos lutadores sociais
06/06/2011
Beto Almeida
A Telesur exibiu no dia 28, ao vivo, por satélite, para toda a América Latina, para os latinos que vivem nos EUA e para parte da Europa, o retorno do ex-presidente Manuel Zelaya a sua pátria. O ex-presidente retorna ao país depois de ter sido deposto por um golpe de Estado articulado por alas do governo estadunidense e a oligarquia interna hondurenha que não admitiam a aproximação política de seu governo com a Venezuela, Cuba e a sua integração à Alba. Esse retorno simboliza o fracasso deste golpe que ceifou muitas vidas de valorosos lutadores sociais. Em sua primeira fala em território hondurenho, Zelaya cobrou a apuração das atrocidades e a punição dos responsáveis. Também pediu a instalação de uma Assembleia Constituinte, que pretendia realizar há quase dois anos, quando foi deposto.
A tática aplicada para o seu retorno, sobretudo pela participação do presidente Hugo Chávez, surpreendeu até mesmo setores do movimento de Resistência Democrática de Honduras. Mas, agora, revela-se toda a audácia e a inteligência desta tática que consistiu em explorar a debilidade do governo de Porfi rio Lobo. Honduras, após o golpe, foi excluída da OEA e isolada internacionalmente, o que, para uma economia fragilizadíssima, representou a impossibilidade de financiamentos externos. A tática também explorou a necessidade do governo de José Santos, da Colômbia – sobretudo da composição de forças que o apoiam - de buscar normalizar suas relações com a Venezuela numa linha política diferenciada da aplicada por Uribe. O ex-presidente Uribe apostava na hostilidade com o governo de Chávez para assim explorar um tensionamento em favor das estratégias militares dos EUA na região. Esta política de tensionar para justifi car intervencionismo não conta com o apoio do Brasil. Haja vista mensagem de Dilma reconhecendo ofi cialmente e aplaudindo os acordos Chávez-Santos-Lobo-Zelaya. Uma derrota para a direita hondurenha, para o intervencionismo estadunidense e para terrorismo paramilitar uribista.
Para a Venezuela, o Acordo de Cartagena pode representar melhores condições para enfrentar, com novos prazos e ritmos, os desafi os da consolidação da Revolução Bolivariana. Mas também não deixa de ser uma recomendação para uma maior unificação de agendas políticas e táticas a todos os movimentos políticos que atuam na América Latina, entre elas para a consolidação da Unasur, seu fortalecimento, o mesmo em relação à Alba.
Beto Almeida é presidente da TV Cidade Livre.
Texto originalmente publicado na edição 431 do Brasil de Fato.