Por Heráclito 21/06/2011 às 14:00
A União Européia e o Fundo Monetário Internacional concederam à Grécia um empréstimo no importe de 110 bilhões de euros. Para liberar a quinta parcela do empréstimo, no importe de 12 bilhões de euros, a União Européia e o FMI exigem que o referido país reduza seus gastos públicos em 28 bilhões de euros e que venda 50 bilhões euros do seu patrimônio público.
Todo e qualquer empréstimo só pode ter duas finaldiades: ou serve para ser gasto para ser investido (se bem que investir também é gastar). Mas se o empréstimo concedido à Grécia não é nem para ser gasto nem é para ser investido, pois as condições para a liberação são de redução dos gastos públicos e a privatização do patrimônio público, para que servirá esse empréstimo? Quem precisa desse empréstimo não é a Grécia, mas os credores, isto é, a UE-FMI, os quais perderão mais se não emprestarem do que se emprestarem à Grécia.
Na verdade, uma das condições para a liberação das parcelas do empréstimo é a gastança do mesmo com o pagamento da dívida pública. O que os capitalistas exigem do governo grego é redução de gastos públicos com educação, com saúde, com previdência social, com segurança, para sobrar mais para gastar com o pagamento da dívida pública.
Se a Grécia não receber a nova parcela do empréstimo é ruim, se receber é pior, pois o empréstimo é apenas para pagar a dívida. Já que o dinheiro é para os próprios credores, o novo empréstimo só vai piorar a situação do devedor.
Se a Grécia se recusar a reduzir ainda mais seus gastos públicos e a não privatizar parte do seu patrimônio público, o novo empréstimo será feito do mesmo jeito, porque os credores vão dizer: "Nós íamos te emprestar esse dinheiro para tu nos pagares. Como tu não privatizaste teu patrimônio público nem reduzistes teus gastos públicos, o dinheiro está emprestado do mesmo jeito, só que vai ficar conosco mesmo. Mas tua dívida e os juros dela vão aumentar."
Simples assim.