Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

A soberania do medo

Por Egon Heck - Depois de duas semanas de intenso debate, leitura de dezenas e dezenas de artigos, matérias de imprensas, notas, manifestações nacionais e internacionais, seria uma omissão imperdoável continuar silenciando a respeito de uma questão de tamanha relevância. (Leia Mais)

Quinta, 01 de Maio de 2008 às 09:46, por: CdB

Quando se quer fazer da mentira a verdade

"A mentira sempre foi a arma dos opressores!
A gente vê que todos que são contra os nossos direitos
 usam essa mentira criada pelo governo de Roraima para
para justificar a injustificável permanência dos invasores"
( Dionito de Souza - CIR, 22/04/08)

Depois de duas semanas de intenso debate, leitura de dezenas e dezenas de artigos, matérias de imprensas, notas, manifestações nacionais e internacionais, seria uma omissão imperdoável continuar silenciando a respeito de uma questão de tamanha relevância; pois, envolve milhares de vidas, sonhos, sofrimento, mortes e lutas por direitos, justiça e dignidade.

No Acampamento Terra Livre, o tuxaua Jacy me chamou de lado e disse: "Não temos mais em quem confiar!". Uma frase apenas. Trinta anos de lutas, com dezenas de vidas ceifadas, casas destruídas, prisões, torturas, seqüestros, sofrimento continuado pelas serras e lavrado. Tudo parecia desmoronar. Trinta anos exigindo o direito à terra, acreditando em prazos e promessas, até que finalmente a terra foi identifica, demarcada, homologada e os invasores com prazo para serem retirados. Uma vez mais todos os prazos foram sendo adiados, esticados, até que, finalmente, parecia que a sonhada paz sem invasões chegaria.

Era véspera do Dia do Índio. O professor Dalmo Dallari, da USP, assim expressou seu indignado sentimento "O dia 19 de Abril de 2008, Dia do Índio, ficará assinalado como um dia em que a força venceu ostensivamente o direito, o dia em que ficou claro que a invasão de terras será tolerada e até mesmo protegida pelo Estado, se os invasores forem ricos e audaciosos e contarem com a conivência de autoridades públicas". (Gazeta Mercantil, 20/04/08)

Argumentos falaciosos

Fico perplexo quando vejo a grande imprensa veiculando montanhas de informações sabidamente infundadas, fantasiosas, eivadas de preconceitos, a serviço de interesses políticos e econômicos de uma minoria.

Não vou aqui ficar repetindo discursos que tentam ressuscitar a "soberania do medo", a pretexto de uma geopolítica em que o Brasil estaria possivelmente à mercê de maquiavélicas manobras para enfraquecer ou até perder a soberania sobre parte do território brasileiro. Perguntaria a esses senhores de plantão - quem foi que permitiu que uma madeireira na Amazônia, na década de 70 se apossasse de mais de 5 milhões de hectares? Quem foi que permitiu que uma entidade da terra do senhor Quartiero tivesse a propriedade sobre extensão maior do que a Raposa Serra do Sol, na região do rio Juruá?

Precisamos pelo menos ser honestos e coerentes, olhando para a história do nosso país e do continente e ver como ocorreram os processos de definição de limites, anexações de território, divisão e dizimação de povos. Certamente são os povos indígenas os que mais sofreram com esse processo continuado de invasão de mais de meio século. As terras indígenas dão muito mais segurança ao país, pois são duplamente protegidas, por serem de propriedade da União e, quando em faixa de fronteira, terem proteção constitucional especial pelas forças armadas. Como diz Jânio de Freitas "Uma reserva é menos fechada à entrada de militares do que as inúmeras propriedades privadas, inclusive estrangeiras, que percorrem o território brasileiro nas fronteiras. E não são vistas como portas abertas a invasões. Não são habitadas por indígenas. Há propriedades fundiárias, mesmo estrangeiras, que ocupam municípios. Não são áreas indígenas. Então, não há problema de descontinuidade territorial, de soberania, de tamanho da área - não há problema, ponto. Há 500 anos." (FSP, 17/04/08)

Mas, o que estariam pretendendo, para terem tão prontamente o apoio não só dos políticos de Roraima, mas do general de está à frente do Comando Militar da Amazônia? Fala-se em perigo para a soberania do país. "O ministro Genro discorda. Para ele,

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