Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

A segunda Morte de Castro Alves

Segunda, 18 de Julho de 2011 às 13:46, por: CdB

19.07.2011 

A segunda Morte de Castro Alves

Mário Maestri*

Antônio de Castro Alves não vai bem de saúde. Sobre ele, em forma lenta, estendeu-se uma cortina de silêncio, uma espécie de véu do esquecimento. Atualmente, afirma-se que a poesia do nosso mais conhecido vate ressente a usura dos tempos, tornando-se, na forma e no conteúdo, um discurso estranho aos nossos dias. Avança-se que ela registra apenas sentimentos de uma época que, de tão distante de nós, torna-se uma desconhecida. Diz-se que a sua leitura da escravidão teria expressado o olhar temeroso dos escravizadores, e não dos escravizados.

 Em 1997, quando do sesquicentenário de seu nascimento, pouco se fez, pouco se falou, pouco se discutiu sobre o mais dileto filho da Bahia. O insosso transcurso da celebração não deixaria lugar a dúvidas. Castro Alves ¾ junto com o espartilho, o rapé e a polca ¾ faria parte das antigualhas de um passado longínquo que nos causam apenas difusos sentimentos de nostalgia por uma época definitivamente superada. O transcurso dos 140 anos de sua morte, em 6 de julho de 2011, passou também praticamente sem registro.

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