Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

A revolução do educar

Segunda, 01 de Agosto de 2011 às 09:04, por: CdB

NoBrasil, a primeira semana de agosto é marcada pela volta das crianças eadolescentes às salas de aula. Enquanto nos países do hemisfério norte, asgrandes férias se dão no meio do ano, para eles tempo de calor e repouso, noBrasil e outros países do sul, julho marca uma breve pausa. Agosto é o mês emque, na maioria das escolas de ensino básico, se retoma o segundo semestreletivo.

Pesquisasrecentes revelam que, em vários aspectos, o Brasil está ocupando o lugar dasétima economia do mundo. Entretanto, um recente congresso da União Nacionaldos Estudantes (UNE) denunciou: ao mesmo tempo, em termos de educação, o Brasilnão passa do 88º lugar entre os países. Infelizmente, ainda temos 15% deanalfabetos no país. Nos últimos dez anos, o acesso ao ensino básico melhoroumuito, mas ainda é muito alto o índice de evasão escolar, principalmente porparte de crianças e jovens. Os governos criaram incentivos para que as famíliaspobres mantenham as crianças e adolescentes na escola, mas não basta uma BolsaFamília, quando a realidade humana e social está deteriorada. É preciso uminvestimento mais de caráter pedagógico e comunitário. Seria necessário umverdadeiro mutirão de jovens para ajudar jovens e adolescentes a superarem oclima negativo nas famílias e permanecerem na escola. A educação é um processomais amplo do que a escolarização, mas principalmente nos primeiros anos,precisa da instituição formal para se fortalecer.

Emvários países da América Latina, se consolida um processo social e políticonovo. Povos indígenas e comunidades afro-descendentes se reorganizam e se unemem torno de suas necessidades básicas e do fortalecimento de suas culturas. Novasconstituições nacionais como a da Venezuela, do Equador e da Bolívia priorizama educação como fator fundamental de construção da cidadania. Organismosinternacionais da ONU já declararam a Venezuela como país livre doanalfabetismo. E o bolivarianismo tem dado muita força à cultura popular e suasexpressões.

Tambémo governo de Evo Morales, na Bolívia, realizou uma grande campanha dealfabetização em massa. No Equador, embora o governo compreenda que ofundamental é a justiça social, sabe também que nenhuma mudança profunda serápossível sem passar pela educação de base, alfabetização de adultos edemocratização do ensino e da universidade.

NoBrasil, estamos atrasados. As elites brasileiras nunca se incomodaram emdemocratizar a educação. E as universidades continuam a ser ilhas de difícilacesso, sem pontes nem barcos que as liguem às ruas do país real e à vida dopovo ao qual deveriam servir.

Enquantodesde o século XVI, a Colômbia, o Peru, a Bolívia têm boas universidades públicas,no Brasil, somente no século XIX, tivemos o primeiro curso de direito em Olindae São Paulo, fato comemorado no dia 11 de agosto de cada ano. "O próprioMinistério da Educação só existe no governo brasileiro a partir de 1930” (revista Fórum, junho2009, p. 8).

Nomomento atual, o governo brasileiro parece continuar um bom trabalho no sentidode garantir a democratização do ensino de qualidade, a competência na gestãodas escolas e do ensino, assim como a inclusão social dos mais pobres em todosos níveis da escolaridade.

Estecaminho novo e democrático da educação deve clarear uma opção pelas criançasque têm mais dificuldade e não por aquelas que já merecem notas melhores. Devemosestimular os professores a optarem pelos pequenos e fracos e não pelosestudantes mais capazes, assim como o Estado não deve bonificar ou pagar mais professoresque conseguem melhores notas para suas classes. Não se trata de um campeonatode excelências, nem de concurso de meritocracia e sim de educadores que sededicam ao elo mais frágil da corrente e sabem que os problemas são maiscomplexos do que apenas um sistema de notas e conceitos.

Paraquem tem fé e busca viver uma espiritualidade ecumênica, a educação é a tarefaque mais nos aproxima dos grandes líderes espirituais da humanidade. Todosforam educadores e, de certo modo, optaram pelos últimos. Jesus Cristo, porexemplo, se revelou como Sabedoria Divina oferecida a toda pessoa que aceitaacolhê-lo. E mostrou que neste processo de educação o importante é conhecer epraticar a verdade. Como ele afirmou: "A Verdade vos libertará” (Jo 8, 33).

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