A política econômica atual prejudica o trabalho e favorece o capital. Juros altos transferem dinheiro do governo e dos pobres para bancos e ricos.
No noticiário oficial a situação do país está boa. Boa para quem? - Boa para os ocupantes dos três poderes e assessores e servidores. Boa para amigos em cargos comissionados. Boa para funcionários públicos graúdos. Boa para quem vive de juros. Vão querer mudanças?
Como è que se pode justificar e continuar uma política econômica que deixou tantos milhões de brasileiros desempregados, fez o país cair pelas tabelas no ranking das potências mundiais e vai levar a dívida pública a um trilhão?
Juros altos atrasam o país e prejudicam o povo
Os economistas que mandam neste país se gloriam de ter conseguido um superávit primário de 81 bilhões em 2004. Com muito imposto e pouco investimento, tudo para diminuir o déficit real causado pelo tamanho insensato dos juros da dívida pública multiplicada pelos juros.
Faz mais de uma década que estou tentando dar um grito de alerta sobre os prejuízos causados ao povo brasileiro pela política econômica de aperto monetário iniciada com o confisco da poupança da Zélia do Collor e continuada pelos depósitos compulsórios e pelos juros absurdos do Malan do FHC, aumentados ainda mais pelo Copom do Banco Central do Meirelles do Lula.
Com o seu tamanho e os seus recursos naturais, o Brasil podia estar entre as principais potências mundiais, se fosse um país bem administrado e não tivesse tantos recursos seqüestrados para o pagamento de juros.
Não sou economista, mas entendo um pouco de matemática. Não consigo entender as razões dos economistas do aperto monetário que mantêm a economia brasileira engessada na camisa de força de juros sufocantes. Será o trauma de uma hiperinflação que faz o povo brasileiro suportar qualquer sacrifício em nome do combate à inflação?
Os nossos presidentes também não são economistas. Precisam confiar a direção da política econômica aos especialistas no assunto, neste mundo cada vez mais complicado. Atrasaram o desenvolvimento do país pela escolha de economistas que acham que há dinheiro demais no mercado e combatem o consumo como Dom Quixote combatia os moinhos de vento.
Já estão com medo até do vento favorável da conjuntura mundial que veio sacudir o marasmo de uma década de economia estagnada, puxou os preços dos produtos exportáveis e animou o mercado. Ao primeiro sinal de pressão sobre a inflação, os monetaristas medrosos passaram a aumentar ainda mais os juros.
Um remédio usado além do prazo de validade
Juros altos podem ser um remédio eficaz para um tratamento de choque contra a inflação, mas seu uso prolongado em doses exageradas tem efeitos colaterais piores que a doença. Com o tempo tal remédio perde eficácia e se torna veneno.
Não precisa ser doutor em economia para ver que juros que devoram mais de cem bilhões por ano atrofiam o desenvolvimento do país. O Governo diz que precisa dos juros para segurar e consumo e a inflação. Economistas com medo do consumo? Quanto mais se avança nesse caminho, mais difícil será a saída desse atoleiro.
O consumo é o motor da economia, o burro que puxa a carroça. Em vez de maltratar o bicho, é preciso produzir capim para ele. Em vez reduzir a força do motor, produzir o combustível que faz o carro andar. Em vez de pôr um freio no consumo, é hora de pisar no acelerador da produção.
Ainda bem que o Brasil é duro na queda. Nenhum outro país teria agüentado tantos juros por tanto tempo. Será o milagre econômico brasileiro?
Os próprios juros se tornaram inflacionários. Fizeram a dívida interna crescer, consumiram tantos recursos públicos que pouco sobrou para a infra-estrutura e os serviços públicos. Inviabilizaram investimentos na produção que preparassem o país para o crescimento sempre prometido pelos políticos.