Presidentes Dilma e LulaAge muito bem a presidenta Dilma Rousseff ao decidir, independente das injunções políticas, que nas indicações de componentes de seu governo - 2º e 3º escalões daqui pra frente - só aceitará nomear quem tiver qualificação técnica. Para a chefe do governo não há partido, grupo ou facção político-partidária que tenha direito adquirido por ter participado da administração Lula.
Serão aceitas indicações políticas, naturais e legítimas, mas será também exigida qualificação técnica para que a nomeação seja efetivada. A presidenta da República decidiu - e vai deixar isso claro ao seu ministério e aos aliados - que nenhum partido que integra seu governo deve se sentir proprietário de determinado cargo, por tê-lo ocupado durante o governo do presidente Lula.
Evidente - e a presidenta sabe disso - que essa diretriz não a livrará das eternas críticas da mídia que a acusará de promover o aparelhamento do Estado e da máquina pública, dentro da permanente prática de dois pesos e duas medidas: quando as nomeações são feitas por governantes do PSDB é "preenchimento de cargos de confiança"; quando feitas por administradores petistas é "aparelhamento do Estado".
Merece todo apoio, também, a iniciativa da presidenta, de criar o Comitê de Gestão (que deverá ter entre seus integrantes o empresário Jorge Gerdau) para dar continuidade a política de reforma do Estado iniciada pelo presidente Lula. Esta é uma política da qual a sociedade não abre mão. Tem que ter continuidade, porque ela não apenas propicia ao Estado a retomada de suas funções de planejamento e indução do crescimento com distribuição de renda, mas também a reorganização de sua burocracia com planos de cargo e salários, qualificação, e preenchimento por concursos. É garantia, assim, da melhoria da gestão pública, de sua execução com efetivo controle.