Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

A preocupante vitória da extrema-direita na Suíça

Por Rui Martins - Os resultados das eleições legislativas suíças confirmam às piores expectativas – o Partido do Povo, considerado por uns como populista-nacionalista e por outros como de extrema-direita é o grande vencedor, e confirma sua posição de primeiro partido político suíço. (Leia Mais)

Domingo, 21 de Outubro de 2007 às 13:56, por: CdB

Os resultados das eleições legislativas suíças confirmam às piores expectativas – o Partido do Povo, considerado por uns como populista-nacionalista e por outros como de extrema-direita é o grande vencedor, e confirma sua posição de primeiro partido político suíço. Ora, quando se conhece a plataforma política do Partido do Povo é normal se imaginar uma preocupação dentro da União Européia, pois esse partido, liderado pelo ministro da Justiça Christoph Blocher, é francamente anti-europeu, a ponto de levar a Suíça a negociar tratados comerciais bilaterais com os EUA.

No que se refere a direitos humanos, o vitorioso Partido do Povo suíço não esconde sua alergia aos estrangeiros, já tendo derrubado um projeto em favor de naturalizações facilitadas, pois seu objetivo é o de dificultá-las. Ao mesmo teupo, uma recente lei para emigrantes e refugiados viola princípios básicos do respeito humano. Além disso, a campanha eleitoral do Partido do Povo, na qual foram utilizados cartazes racistas, e um filme de publicidade  retirado do site do partido depois de um processo movido pelos figurantes, não deixa dúvidas quanto à sua ideologia.

A vitória do Partido do Povo foi obtida, explorando-se o medo dos estrangeiros, investindo-se  contra os minaretes pedidos por muçulmanos. Simplificando-se, pode-se dizer que para o Partido do Povo os muçulmanos são terroristas e os negros, traficantes, motivo pelo qual devem sair do país. Para a África e seus emigrantes, a Suíça de hoje não é acolhedora. Para a Europa, é preocupante se ter bem no centro do continente um país em que cerca de 30% dos habitantes não têm medo de mostrar sua atração pela extrema-direita.

Ainda nesta semana, o jornal Le Temps, de Genebra (onde o Partido do Povo acaba de derrotar os socialistas) se indagava sobre o medo explorado pelo Partido do Povo, quando a Suíça não tem nenhum problema estrutural, seu índice de desemprego é baixo, a economia superou uma crise e está em crescimento, enquanto nas cidades existe segurança. O que nos inquieta é o depoimento de um dirigente do movimento IGA SOS Racismo, “os outros países europeus testam aqui na Suíça as novas leis e técnicas contra os estrangeiros”.

Se outros políticos europeus se inspirarem no populismo racista e nacionalista de Blocher e do Partido do Povo suíço, logo poderemos viver um perigoso pesadelo.

Rui Martins é jornalista.

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