Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

A política cambial sob diferentes visões

Quinta, 14 de Julho de 2011 às 05:40, por: CdB

Na verdadeira questão que aflige a todos e mantém em suspense e debate a nossa economia, a cambial, continuamos sem acordo. Isto fica visível no alerta feito pelo Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central nos governos tucanos, sobre os efeitos colaterais das medidas adotadas pelo governo para deter a valorização do real.

Para Fraga há risco dessas medidas afugentarem operações de derivativos de câmbio e de juros. Na oposição e no mercado, portanto, a opinião que continua dominante é que o problema são os gastos do governo e os juros altos, e não apenas a situação internacional de grande liquidez, juros baixíssimos (quase negativos nos desenvolvidos e em outros países) e demanda e preços altos das commodities.

Exigem, assim, não medidas de controle de capital como as adotadas pelo governo e/ou as propostas pelo FMI, mas ajustes macroeconômicos e diminuição dos juros e do custo Brasil. Ou seja, defendem obviedades que dependem de mais investimentos, tanto públicos, quanto privados e não de cortes de investimentos e gastos.

A questão central é outra, é como manter o crescimento

O tema central é outro. A questão real é que o Brasil para crescer depende de seu mercado interno. E para aumentar as exportações, de novos mercados. A começar pelos da América do Sul e África, para os quais pode exportar não apenas mercadorias e commodities, como capital, tecnologia e serviços, e com eles consolidar mercados comuns e acordos políticos.

Dos Estados Unidos e da Europa só podemos esperar protecionismo e recessão. Da Ásia concorrência chinesa e pouca demanda do Japão. Assim, na conjuntura atual temos que combinar restrições aos movimentos de capitais e os ajustes internos já feitos. Particularmente o esforço para reduzir o custo Brasil - ou seja, esforço  tributário, financeiro e de melhoria da nossa logística.

Mais importante, há que perseguir estas metas sem perder de vista a centralidade da educação e da inovação. Mas, até lá, e simultaneamente à busca destas restrições, ajustes e melhorias, ainda precisamos manter os controles já adotados, particularmente num mundo onde os países desenvolvidos só cuidam de seus interesses. Deles, não há o que esperar para nós. Portugal, Itália, Espanha, Irlanda e Grécia que o digam.



 

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