Rio de Janeiro, 25 de Março de 2026

A nova campanha eleitoral

Por Frei Betto - Lula não conseguiu se reeleger presidente no 1º turno devido às denúncias de corrupção de dirigentes do PT e à sua ausência nos debates de TV que reuniram seus concorrentes. Agora terá pela frente mais 23 dias de campanha. Em 29 de outubro as urnas dirão quem tomará posse, em 1º de janeiro de 2007, como presidente do Brasil: Lula ou Geraldo Alckmin, do PSDB, apoiado por Fernando Henrique Cardoso. (Leia Mais)

Segunda, 09 de Outubro de 2006 às 07:20, por: CdB

Lula obteve 48,65% dos votos válidos (48,6  milhões), contra 41,58% de Alckmin (39,5 milhões). O atual presidente  mostrou-se, ao longo da campanha, seguro de sua vitória no 1º turno, como  indicavam todas as pesquisas. A ponto de se dar ao luxo de, em setembro,  passar um fim de semana com a família, evitando compromissos eleitorais. Em 28 de setembro, Lula faltou ao debate entre candidatos  promovido pela TV Globo. Seus concorrentes - Alckmin; Heloísa Helena, do Psol;  e Cristovam Buarque, do PDT - convergiram suas críticas ao candidato ausente,  sem que este tivesse como se defender.

Ao longo desses quatro  anos de governo Lula, o PT, fundado por ele em 1980 e recoberto com a bandeira  da ética, envolveu-se em quatro grandes escândalos de corrupção: um vídeo  mostrou Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil, extorquindo um contraventor  quando ainda trabalhava no governo do Rio de Janeiro; deputados petistas foram  acusados de receber dinheiro de um empresário (o "mensalão") e o PT de ter  pago milhões de reais para obter o apoio de dois partidos, o PL e o PTB; o  ministro da Fazenda, Antônio Palocci, quebrou o sigilo bancário de um caseiro  que o acusou de negociatas; e agora, na reta final da campanha, petistas foram  presos ao tentar comprar um dossiê que, supostamente, conteria graves  denúncias contra José Serra, do PSDB, que disputava o governo de São Paulo com  Aloysio Mercadante, do PT.

O PT cometeu o grave erro de não  apurar internamente os fatos e as denúncias por considerá-los irrelevantes.  Respaldado por sua popularidade, Lula tratou de descolar-se do seu partido,  declarou-se traído e removeu os acusados de suas funções públicas. Assim, o  lulismo sobrepujou o fenômeno do petismo. Não há provas de que Lula soubesse  das operações nefastas que minam a credibilidade do PT.

Há duas  semanas do pleito todos os indicadores confirmavam a reeleição de Lula no 1o.  turno. A maioria dos 125 milhões de eleitores aprovava o seu governo,  sobretudo os mais pobres, beneficiados por programas sociais como o Bolsa  Família, que distribui renda mínima a mais de 40 milhões de pessoas. 

A 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu em São Paulo dois  militantes do PT portando R$ 1,7 milhão, destinados à compra de um suposto  dossiê contra José Serra. Ao divulgar o dossiê que conteria provas de  corrupção de Serra, quando ministro da Saúde do governo FHC, o PT pretendia  alavancar seu candidato, Aloysio Mercadante. Como disse Lula em entrevista  coletiva a 2 de outubro, o que o PT conseguiu foi "dar um tiro no  pé".

A prisão dos negociadores do dossiê foi um balde de água  fria na campanha de Lula, sobretudo porque seu autor, Luís Antônio Vedoin,  sofre processo por comandar amplo esquema de corrupção na área da Saúde,  conhecido como "sanguessugas". A mídia pressionou para que se divulgassem as  fotos dos maços de dinheiro - uma parte em dólar. Na véspera da eleição, o  delegado que efetuou as prisões - e foi afastado do caso - repassou as fotos à  imprensa. Publicadas, causaram impacto negativo na campanha de Lula, levando-o  a perder 5 pontos percentuais na preferência do eleitorado, o que inviabilizou  sua reeleição no 1o. turno.

Para recuperar o apoio perdido, Lula  terá de esclarecer, nessa segunda rodada de captação de votos, o conteúdo do  dossiê e a origem do dinheiro em poder dos petistas. E deverá comparecer aos  debates de TV na desconfortável posição de defender-se das denúncias de  corrupção de dirigentes do PT.

O 2º. turno haverá de politizar a  atual campanha presidencial. No 1º, não houve a vibração das eleições  anteriores. A propaganda eleitoral se reduziu a efeitos de marketing. Nem  sequer os candidatos apresentaram

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