Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

A nossa cota no cuidado com a Terra

Na semana consagrada pela ONU à sustentabilidade da terra, as notícias pareciam pouco animadoras. O norte-americano Jonathan Lash, presidente da organização "World Resources Institute (WRI), reuniu 1360 cientistas de todo o mundo para avaliar a situação da terra. (Leia Mais)

Terça, 07 de Junho de 2005 às 16:40, por: CdB

Na semana consagrada pela ONU à sustentabilidade da terra, as notícias pareciam pouco animadoras. O norte-americano Jonathan Lash, presidente da organização "World Resources Institute (WRI), reuniu 1360 cientistas de todo o mundo para avaliar a situação da terra.

Publicaram um estudo no qual afirmam que a humanidade explorou tanto a natureza que não há garantias de que ela possa dar sustento às novas gerações. Há duas semanas, ao participar no Rio de Janeiro do Congresso ibero-americano sobre desenvolvimento sustentável, Lash declarou: "Se não mudarmos alguns de nossos hábitos, estaremos roubando o futuro de nossos filhos e netos" (Cf. ISTOÉ/ 1858, 25/ 05/ 2005, p. 94). O tremor de terra que, no final de dezembro de 2004, provocou o tsunami e arrasou o litoral de dez países asiáticos ainda não terminou. "Seis meses depois do terremoto, a terra continua vibrando como um sino", declara Roland Bürgmann, da Universidade da Califórnia. Entretanto, para nós, brasileiros, a notícia mais triste é que, entre 2003 e 2004, foram devastados 26.130 Km 2 da Amazônia. Desde que se começou a contar, é a segunda pior taxa de desmatamento. As causas são sempre as mesmas: soja, pecuária, exploração madereira, grilagem de terras e falta de controle ambiental, além da opção do governo federal de ganhar as próximas eleições, costurando alianças com qualquer tipo de partido e pessoa que se apresente disposto a barganhar alguma fatia de poder. 

Graças a Deus, na contramão desta corrente, no mundo inteiro, pequenos lavradores e grupos indígenas começam a atuar em um novo modelo de relação entre o ser humano e a Terra. A luta dos índios bolivianos contra a exploração internacional do gás da Bolívia não é apenas um movimento nacionalista. A partir da espiritualidade andina, os índios exigem outra forma de tratar a terra e suas riquezas subterrâneas. No Brasil, este cuidado com a Ecologia unem índios e pequenos lavradores. Como afirma Leonardo Boff: "Para o MST, a Terra não é apenas, como quer a cultura capitalista, meio de produção. É muito mais: é nossa Casa Comum. Está viva, com uma comunidade de vida única. Nós somos seus filhos e filhas, com a missão de dela cuidar e de libertá-la de um sistema social consumista que a devasta... Este é seu sonho maior (do MST) expressão do novo paradigma civilizatório emergente" (O Popular, 20/ 05/ 2005). No sul do Brasil, nestes dias, ocorre o quarto Encontro de Agro-Ecologia. Na Cidade de Goiás, a Festa da Colheita com a valorização das chamadas "sementes crioulas" será no domingo 19, confirmando os lavradores neste caminho de amor e cuidado com a vida.

Há alguns anos, muitos cientistas pensavam que a nossa civilização tinha vencido definitivamente a natureza e imposto suas exigências. A partir da eletricidade, o dia e a noite não têm mais o mesmo significado de luz e trevas. Refrigeramos o ar ou o esquentamos, mudando a temperatura natural. Especialistas provocam chuvas. Empresas que exploram estações de esqui fabricam pistas de gelo. E não se fala muito das conseqüências deste tipo de evolução. Todo mundo consome energia elétrica e ninguém procura saber de onde ela vem. Queremos água na torneira e no chuveiro, mas não nos sentimos responsáveis pela situação de nossos rios. A ministra Marina Silva tem chamado a atenção para este problema: "a maioria das pessoas é favorável à ecologia, mas contanto que seja na casa e na terra dos outros".

Quando se fala em aquecimento do clima, poluição das águas e sustentabilidade do planeta, o desafio ecológico parece tão imenso que cada pessoa se sente impotente. Esperam-se soluções dos governos, iniciativas das empresas e mudanças da sociedade, mas é sempre o outro que deve dar o primeiro passo. É urgente mudarmos esta forma de pensar. Cada um tem uma cota a garantir no cuidado com a terra e toda a vida que nos envolve. Ninguém pode ser dispensado desta luta cotidiana. Todos temos hábitos de consumo que precisamos rever, principalmente a f

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