Tudo parece uma grande encenação. Um ano se passou e, apesar dos empréstimos, a Grécia não conseguiu sanar suas dívidas. Agora, o país pede urgentemente a liberação de mais 12 bi de euros à União Européia e ao FMI.
Em resposta, a Europa garante que só libera os recursos mediante uma avaliação das medidas adotadas pelo país no combate à crise. O comissário europeu para Assuntos Econômicos, Olli Rehn, tem sido irredutível. Segundo ele, "uma reestruturação não faz parte do plano".
E, mesmo após a Alemanha ter aventado a possibilidade de que a liberação do dinheiro não precisaria de uma reestruturação da dívida grega, Rehn foi enfático: "Reestruturar de qualquer jeito não vai resolver os problemas fundamentais da Grécia".
Mais impostos
Enquanto isso, os especialistas do Banco Central Europeu (BCE), do FMI e da Comissão Europeia fazem uma auditoria no país que se encontra em plena crise nas suas finanças públicas. Esta manhã, uma fonte do governo disse à Reuters que o país concordou em reduzir o seu déficit em 6,4 bi de euros adotando novas medidas para a em 2011. O plano inclui aumentos de impostos e menores isenções tributárias. Com isso, o governo pretende encerrar as negociações com os inspetores internacionais até amanhã.
O que vemos nesta questão sobre a dívida grega e sua reestruturação, além da resistência da União Européia e do FMI em aceitar a realidade, é um jogo de cena. Evidentemente, eles já sabem que precisam mudar. E mudar a tempo, antes que os protestos populares que se espalharam pela Europa se transformem em uma grave crise política. A repressão em Barcelona e o crescimento dessas manifestações na França e na Grécia só confirmam que a juventude européia, mais atingida pela crise, levantou-se e, com toda razão, não vai parar de protestar.
Do lado da União Européia, FMI e governos o que vemos é a imobilidade e a insistência em se trilhar um caminho que não levará a nada, como já registramos neste blog várias vezes. Ou melhor, levará, sim, a mais recessão, desemprego, queda do nível de vida, sem a sonhada diminuição da dívida nos países. E, convenhamos, o aumento dos juros só piora a conta. No final, só se salvam os bancos alemães e o sistema financeiro. Os países que se danem.
Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026
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