Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

A mudança política na agenda regional

Por Julio C. Gambina - A Cimeira das Américas mostrou os sinais não apenas de um subcontinente em mudança, mas de mudanças que têm já significativa expressão institucional, tal como a têm na luta dos povos.

Quarta, 06 de Maio de 2015 às 07:23, por: CdB
Rep/WebA Cimeira das Américas mostrou os sinais não apenas de um subcontinente em mudança, mas de mudanças que têm já significativa expressão institucional, tal como a têm na luta dos povos. Na cimeira, ao fim do isolamento de Cuba correspondeu uma redução do espaço político de manobra dos EUA. Mas a dominação e agressão imperialista,  política, económica, financeira, militar, diplomática,  não tem ainda uma alternativa e um confronto à altura. É interessante analisar a agenda em debate na região, posta em discussão no âmbito da diplomacia e da política regional, mas também nas ruas. Cuba no Panamá Quem ganhou a batalha de décadas entre os EUA e Cuba? Triunfou o bloqueio estado-unidense que condenou ao isolacionismo cubano, ou terminou impondo a vontade e as aspirações de exercer relações soberanas, impulsionadas a partir de um pequeno país, e isolando nada menos que os EUA? Este comentário é válido, mesmo a partir da aparente desigualdade na correlação de forças, numa questão que é quotidianamente invocada para impedir a modificação das condicionantes estruturais do legado neoliberal nos nossos países. Refiro-me às reformas estruturais dos anos 80 e 90 que condicionam o dia-a-dia, seja no âmbito da produção ou dos serviços e das finanças, nomeadamente o endividamento; bem como aos tratados internacionais subscritos na altura e que condenam os países à subordinação a tribunais externos e à lógica da liberalização da economia. Solidariedade com a Venezuela  Interessa também considerar que a soberania popular se esgrime nestas horas na defesa da autodeterminação da Venezuela perante a agressão dos EUA. A defesa do governo legítimo na pátria de Bolívar não se trava apenas no seu território, mas também na solidariedade que se estende além-fronteiras com os 10 milhões de vontades que exigem aos EUA que revoguem a declaração de “ameaça à segurança” por parte da Venezuela. É um tema associado à disputa da hegemonia mundial, mas também às novas instituições da integração, que têm entre as suas novidades mais destacadas a plena participação cubana nas relações continentais. Queremos destacar, a propósito da Cúpula de Presidentes no Panamá, o exercício do poder da dominação e ao mesmo tempo a potencialidade de projetos alternativos que proclamam propostas de ordem social contra-hegemônicas.   Dependência capitalista Para o caso da Argentina, perante uma nova decisão contra o país no CIADI (Centro Internacional de Acerto de Divergências Relativas a Investimentos), secção do Banco Mundial em defesa dos interesses dos investimentos transnacionais; perante os US$ 405 milhões demandados em tribunal desde 2006 pela francesa SUEZ; ou para terminar com a herança da legislação financeira da ditadura ante a agressão da especulação financeira sustentada a partir das transnacionais das finanças, que hoje se manifesta no processo judicial em Nova York por valores incalculáveis, entre os US$ 1600 e os US$ 15.000 milhões. Em rigor, faz uma década que ficou demonstrado que a ALCA podia ser eliminada da agenda de debate, mas ela hoje retorna em variadas negociações pela liberalização. A leitura política sustentada na luta pela soberania dos povos e posta em evidência no Panamá ou na Colômbia assinala-nos que não existe a fatalidade de que os países se subordinem ao CIADI ou a qualquer forma de promoção da liberalização das relações comerciais e do movimento internacional de capitais. O nosso comentário aponta para sustentar a possibilidade de aprofundar a configuração de uma subjetividade e institucionalidade alternativa que sustente um modelo produtivo e de desenvolvimento a contracorrente do da ordem hegemónica e que supere as condicionantes da dependência capitalista. Julio C. Gambina, é presidente da Fundação de Investigação Social e Políticas, FISYP. Montevideo 31, 2º Piso CP 1019ABA. Cidade de Buenos Aires. blog www.juliogambina.blogspot.com.    
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