Aos 29 anos de idade, o norte-americano Arthur Miller armou uma cabana no quintal de sua casa e teceu sua mais importante obra 'A Morte do Caixeiro-Viajante', obra que lhe valeu o Prêmio Pulitzer. A quarta montagem da peça no país, sob direção de Felipe Hirsch, estréia no Teatro do Sesc Vila Mariana nesta quinta, 20h30, e marca o reencontro de Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha no palco.
'Death of Salesman' data de 1949 e, desde sua estréia em Nova York (no mesmo ano subiu aos palcos londrinos), vem sendo encenada ininterruptamente em diversos países do mundo, inclusive na China (em Pequim há 20 anos), onde o próprio Arthur Miller assinou a direção do primeiro texto ocidental a ser representado por atores chineses.
Utilizando recursos fundamentados na trajetória do herói trágico dos gregos, Miller colocou não um rei no papel do herói, mas um homem comum, um caixeiro-viajante da classe média que decide suicidar-se após constatar que não há mais sentido sua existência.
Willy Loman (Marco Nanini) está velho, sua vida profissional está em extinção. Ele sente seu 'sonho americano', de prosperar à custa do trabalho e das boas amizades, esfacelar.
- Assim que começou a tomar vulto essa história de sonho americano Arthur Miller escreveu uma peça criticando isso - conta o ator Marco Nanini.
Os conflitos com a família, sobretudo a difícil relação que sustenta com seu filho Biff Loman (Guilherme Weber), servem de fermento para que se torne insustentável sua vida.
Alheio ao que de real lhe cerca, Willy, mesmo com os apelos de sua mulher, Linda (Juliana Carneiro da Cunha) para que volte à realidade, segue seu caminho desesperado, tentando remontar sua vida, agora arruinada, nas mesmas bases movediças que o sugaram.
- Isso que é muito doloroso. Em muitos momentos da peça sentimos essa impossibilidade de Willy ceder ou escutar. Ela tenta chamá-lo à realidade - comenta a atriz Juliana Carneiro da Cunha, que vive Linda Lomam, a 'apaixonada' mulher de Willy.
Marco Nanini avisa que nenhuma palavra do texto, tradução de Flávio Rangel (a mesma utilizada na montagem protagonizada por Paulo Autran), foi cortada. São três horas de espetáculo com dois atos e um réquiem.
Além de Marco Nanini e Juliana Carneiro, os atores Francisco Milani, Gabriel Braga Nunes, Guilherme Webber, Ana Kutner, Pedro Brício, Rubens Caribé, Analu Prestes, Sylvi Laila, Paulo Alves, Dora Pellegrino e Bruce Gomlevsky, compõem o elenco.
A equipe de criação - luz (Beto Bruel), cenário (Daniela Thomas), figurino (Rita Murtinho) e trilha sonora (L.A. Ferreira e Rodrigo Barros Homem d'El Rei) - já se tornaram parceiros da Sutil Companhia de Teatro e desenvolveram vários projetos juntos.
A atriz Érica Migon, uma das fundadoras da cia., assina a assistência de direção e Juliana Carneiro da Cunha a preparação corporal.
A Morte do Caixeiro-Viajante. Estréia quinta (4), 20h30. De quinta a sábado, 20h30. Domingos, 17h. Até 5 de outubro. Teatro do Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas,141. Vila Mariana. Tel. (11) 5080-3000. R$ 30 e R$ 40.
'A morte do Caixeiro-Viajante' estréia em São Paulo
Quinta, 04 de Setembro de 2003 às 02:09, por: CdB