Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

A morte de um líder operário

Sexta, 17 de Junho de 2011 às 04:55, por: CdB

Nenhum militante sindical daqueles anos desconhece a importância da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo

 

17/06/2011

Alipio Freire

 

Terça-feira, 7 de junho de 2011: falece em São Paulo, aos 63 anos, o líder metalúrgico Cleodon Silva.

A grande bandeira nacional da Praça dos Três Poderes não foi hasteada a meio-pau. A grande maioria dos brasileiros sequer ficou sabendo.

Em seu texto de despedida, “Vá Silva, seu visionário com olho de águia!”, que circula na internet, Vito Giannotti – companheiro de Silva desde os anos de 1970, nos conta: “Em 1971, desembarcou na velha rodoviária de São Paulo um dos milhões de nordestinos que deixavam Pernambuco rumo ao Sul Maravilha. A maravilha que Cleodon buscava era a revolução, a grande Revolução Socialista. Na sua mala de couro, trouxe duas armas, que o acompanharam por longos anos até serem trocadas pela Internet: uma velha máquina de escrever e um reco-reco, espécie de mimeógrafo artesanal. Com este arsenal iria se integrar à Oposição Sindical Metalúrgica para lutar contra os patrões, os pelegos seus capachos e aliados, e contra a Ditadura instalada a serviço do capital”.

Nenhum militante sindical daqueles anos desconhece a importância da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, seu vigoroso trabalho de contestação da estrutura

sindical, e de organização dos operários no interior das empresas; a eleição ganha mas fraudada pelos pelegos e patrões em 1978; ou os 11 dias da greve dos metalúrgicos de São Paulo de 1979, com 80% da categoria parada.

Nenhum de nós desconhece Cleodon Silva e seus camaradas de luta: Olavo Hansen e Santo Dias da Silva (ambos assassinados pela ditadura); Carlúcio Castanha

(já falecido); Vito Giannotti, Sebastião Neto, Hélio Bombardi ou o Marrom; Anízio Batista, Chico Gordo, ou Cloves Castro; Edésio, Carlão (Delmar Mattes), Maria Lúcia Torres ou o Vicente; Waldemar Rossi, Raimundinho, Farinazzo e tantos outros. Hoje, quando discutimos a Comissão da Verdade, da Memória e da Justiça é indispensável que registremos esta saga. Esta, a nossa maior homenagem ao Cleodon Silva, a todos que já se foram, aos que permanecem e aos que virão.

 

 

Artigo originalmente publicado na edição impressa 433 do Brasil de Fato

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