O Brasil perdeu no fim de semana um dos últimos remanescentes liberais da velha UDN, o advogado Raphael Hermeto de Almeida Magalhães, vice-governador, governador interino da Guanabara e ex-deputado federal. Raphael morreu de mal súbito em sua casa, no Alto da Boa Vista (Rio) no domingo. Seu corpo, velado no Memorial do Carmo, foi cremado ontem no Cemitério do Cajú.
Gostava de bater papo com um vizinho quando moravam no bairro do Flamengo, o ex-governador Carlos Lacerda (1961-1965), de quem foi vice-governador e a quem substituiu no cargo de governador da Guanabara (que o regime militar fundiu com o Estado do Rio). Ambos da UDN, Raphael manteve-se um liberal a vida toda, posição que terminou por levá-lo da ARENA (partido da ditadura pelo qual foi deputado) para o PMDB.
Neste partido, era próximo do deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP) e do senador Severo Gomes que, ministro da Indústria e Comércio da ditadura (governo Geisel), também migrou para a oposição. Como representante do PMDB, Raphael foi ministro da Previdência Social por dois anos no governo Sarney e deputado constituinte. Era considerado pelos amigos um excelente contador de "causos" - transformava todos em histórias bem humoradas, uma qualidade que esbanjava.
Como constituinte foi o relator do capítulo da Previdência em nossa Carta. Teve atuação destacada, também, como bem lembrou em nota oficial o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, na defesa das questões sociais e na reformulação da política habitacional do nosso país.
"Ele foi um grande brasileiro. Tinha uma visão generosa do Brasil, Mais do que um genro, considero-me um discípulo dele" - disse ao O Globo, seu genro, o cineasta Cacá Diegues. É uma definição perfeita do Raphael, um mineiro - nasceu em BH - que todos imaginavam carioca.
Registro com pesar seu falecimento. Aos familiares, minha solidariedade neste momento de dor.