Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

A marcha das crianças imigrantes nos EUA

Por José Inácio Werneck - Desde outubro do ano passado cerca de 40 mil crianças desacompanhadas de adultos conseguiram entrar nos Estados Unidos e vem sendo abrigadas temporariamente enquanto os tribunais do país decidem o que fazer com elas.

Domingo, 29 de Junho de 2014 às 13:00, por: CdB
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Crianças imigrantes desacompanhas entram nos EUA e são um quebra-cabeça para Obama resolver
Desde outubro do ano passado cerca de 40 mil crianças desacompanhadas de adultos conseguiram entrar nos Estados Unidos e vem sendo abrigadas temporariamente enquanto os tribunais do país decidem o que fazer com elas. O problema, como era de se esperar, está radicalizando ainda mais o debate sobre imigração entre republianos e democratas. Barack Obama assumiu seu segundo mandato com um forte apoio de eleitores hispânicos, graças à sua promessa de resolver o problema de imigração ilegal no pais. Em outras palavras, conseguir uma anistia. Já abordei o assunto em meu livro Com Esperança no Coração, que trata não apenas de imigrantes hispânicos mas também brasileiros. Ninguém sabe ao certo quantos imigrantes ilegais há nos Estados Unidos, mas ultrapasam a casa de dez milhões, vindos sobretudo do México e da América Central. A grande maioria é trazida pelos “coiotes”, contrabandistas de seres humanos. Outro dia um mexicano me dizia, meio a sério e meio de brincadeira: “Os americanos ainda não perceberam, mas aos poucos estamos tomando de volta todas as terras que eles nos tomaram”. Basta ver o nome da maioria dos estados e das cidades do oeste americano para compreender o que ele estava falando. Sem falar do Texas, onde se travou a famosa batalha do Álamo. Segundo os americanos, era uma luta pela liberdade. Os mexicanos dizem que, ao contrário, a batalha era pela escravatura. O México já havia abolido a escravidão, enquanto os sulistas americanos lutavam pelo direito de manter os seus escravos. O assunto imigração terá consequências na eleição presidencial do próximo ano. Se Obama não conseguir manter sua promessa de resolver o problema com um acordo politico, muitos eleitores hispânicos, desapontados com ele, poderão simplesmente ficar em casa no dia da eleição. (O voto é facultativo nos Estados Unidos). Dificilmente se decidiriam a votar no candidato republicano, pois os republicanos, pressionados pelo Tea Party, mostram-se cada vez mais intolerantes com os imigrantes do “sul do Rio Grande”. Nem republicanos nem democratas tem no momento candidato lançado à presidência. É quase certo que os democratas escolherão Hillary Clinton. Ela, mais do que ninguém, espera ansiosamente que Obama resolva este que vem sendo o mais espinhoso problema de sua administração. Enquanto isto, as crianças, incentivas pelos pais, vão tentando entrar no país. Eles acreditam, falsamente, que elas serão anistiadas. Já houve de fato uma anistia, mas encerrou-se em 2007. José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive. Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins.
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