Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

A Marcha da Ditadura

Sábado, 04 de Junho de 2011 às 03:40, por: CdB

Por Roberto Quintas 04/06/2011 às 09:21

análise crítica da marcha reacionária e retrógrada manifestada por católicos e evangélicos

Representantes de igrejas e parlamentares evangélicos e católicos protestaram em 1º de junho em Brasília contra a legalização da união civil gay e para pedir mudanças no projeto de lei complementar que prevê a criminalização da homofobia.
A chamado Marcha da Família convocou nesta quarta uma passeata que uniu católicos e evangélicos para se manifestar a favor do projeto legislativo que suspende a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de reconhecer a união civil de pessoas do mesmo sexo.
Que os brasileiros não se enganem, esta ?marcha? não foi feita para defender a família, mas para defender suas concepções preconceituosas, discriminativas e intolerantes, sobre a homossexualidade e os homossexuais, disfarçadas sob o manto da religiosidade.
A atual ?Marcha pela Família? não passa de uma reedição da ?Marcha pela Família? que aconteceu em 13 de março de 1964, um movimento que deu condições para o faustoso Golpe de Estado que implementou a Ditadura Militar. Impossível, depois de tanto trabalho e luta pela redemocratização e reinstauração do Estado de Direito, que o brasileiro permita mais esse movimento golpista que tenta, desta vez, instaurar uma Ditadura Eclesiástica. O Brasil não pode nem deve se tornar uma teocracia. O Brasil não pode nem deve se tornar um Afeganistão. O Brasil não pode e nem deve permitir que um grupo, ou instituição, se torne um Taliban brasileiro.
Essas mesmas pessoas que hoje dizem estar defendendo a ?família? amanhã poderão estar liderando um linchamento público, um apedrejamento, um enforcamento, uma incineração ou um fuzilamento de todo e qualquer inocente que destoe de seus padrões baseados no fundamentalismo e no fanatismo religioso.
Eu insto a todo brasileiro que fique alerta e lutem para manter o Estado de Direito, legítimo, laico, democrático, que garante a todos, não a poucos privilegiados, a garantia de seus direitos.
Pelo amplo e irrestrito direito a toda pessoa de amar e se relacionar, pelo amplo e irrestrito direito a toda pessoa de manifestar e optar por sua identidade sexual, pelo amplo e irrestrito direito a toda pessoa de demonstrar seu carinho e afeto, por uma sociedade inclusiva, por mais humanidade social, basta de ditaduras!

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