Considerável - e muito - em um país como o Brasil, a diferença salarial entre as classes do magistério e do magistrado. Estes, os que batem o martelo para decidir uma causa, e talvez parte da vida de um cidadão submetido aos seus julgamentos. Aqueles, os responsáveis pela educação, parcial, de uma pessoa - que pode ou não passar pelas mãos de um juiz. A semelhança, logo, entre os professores e juízes é simples: os cargos exigem elevada competência, mas há um abismo salarial que separa as classes.
Por que os governantes temem tanto os juízes? Por que os professores, por outro lado, não botam medo nos governantes? Simplesmente porque a mão que ensina não é a mesma que bate o martelo. Há uma outra grande diferença entre professores e magistrados: a legitimidade que emerge da toga. Eles compõem o terceiro poder. Os professores, em grande parte, são meros
fantoches na história da educação do país. Fácil reconhecer isso: se a classe pára e reivindica direitos já conquistados ou reajustes, mestres são substituídos imediatamente. A educação é prioridade, dizem os políticos. Mas se os juízes entrarem em greve, serão substituídos? Eles julgarão sua paralisação ilegal, como fazem com a grande massa dos professores em muitos
casos? E por quê ameaçam parar? Pelas mudanças na reforma que podem lhes abocanhar, em prol da estabilidade da União, uma pequena parcela dos milionários salários mensais?
É fato. Professor do magistério - muitos deles conceberam juízes país afora - ganha em média,
dependendo do Estado, um irrisório salário. De R$ 240 a R$ 700, ou nem isso. Magistrados, entre eles desembargadores de tribunais, conquistam vencimentos de até R$ 29 mil reais mensais. Com o respeito aos togados - por suas lutas pela democracia e pela responsabilidade
que o cargo lhes exige -, há de causar incômodo salários exacerbados em um país como o Brasil, portador de altas desigualdades sociais. Do que reclamam os magistrados com as propostas da reforma, formulada para a estabilidade futura de um sistema previdenciário quase
quebrado?
Alguns juízes - não tomar a parte pelo todo -, realmente, dão medo. Em salas com carpete e ar
condicionado consolidam suas carreiras. Podem dar voz de prisão, conceder liminar de soltura a bandido e julgar pessoas. E os professores - que pariram juízes por aí - seguem na labuta, em imensa maioria, sem tais mordomias. Os "tios" do primário devem estar muito brabos com os
meninos que ensinaram a crescer, aqueles que se tornaram donos do martelo.