Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

<i>A Janela</i>, de Carlos Sorin, analisa a velhice

Quinta, 30 de Abril de 2009 às 08:03, por: CdB

Veterano premiado do cinema argentino, por filmes como Histórias Mínimas  e O Cachorro, Carlos Sorin retorna com uma história de dramaturgia minimalista no drama A Janela.

Vencedor do prêmio Fipresci (da Federação Internacional dos Críticos) no Festival de Valladolid (Espanha), o filme entra em cartaz no país nesta quinta-feira.

Num filme que tem ecos assumidos de Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman, o protagonista é o velho escritor Antonio (o escritor e roteirista uruguaio Antonio Larreta), vivendo seus prováveis últimos dias de vida.

A fragilidade de seu corpo, preso à cama e dependente de remédios, contrasta com a rebeldia de seu espírito, que parece disposto a sorver a máxima energia da natureza à sua volta. E mais - Antonio espera ansiosamente a volta do único filho (Jorge Diez), um pianista famoso,com quem ele não fala há anos.

Seguindo seu estilo habitual, Sorin não fornece muitas explicações. Não se sabe ao certo a causa desse afastamento entre pai e filho. Não se sabe muito sobre a mulher dele, que morreu há muito tempo, e de quem restou um retrato a óleo na parede. Igualmente, pouco se revela sobre as duas empregadas da casa (Maria Del Carmem Jiménez e Emilse Roldán), que se revezam na atenção constante ao velho dono.

A janela do título torna-se, assim, a metáfora da possibilidade de escapar para a vida externa, o que Antonio até fará, reunindo toda a sua energia - uma bela sequência visual do filme, em que sua fragilidade física é, mais uma vez, superada pela sua férrea vontade de ir de encontro a um vasto campo ao sol seco da Patagônia.

Um personagem curioso é o do afinador de pianos (Roberto Rovira), que é chamado para preparar o velho instrumento abandonado para a visita do filho. Observador de fora, ele fornece momentos de real ironia e humor com seus comentários, quebrando a solenidade sentida na velha casa.

Repleto de silêncios e lacunas, A Janela aproxima-se às vezes da economia narrativa dos filmes de sua compatriota Lucrecia Martel, diretora de O Pântano e A Menina Santa (2004), ainda que sem a mesma radicalidade.

Em todo caso, para aproximar-se do filme de Sorin, o espectador terá de munir-se de muita entrega e atenção porque, nesta história, o sentido está, mais do que nunca, na obra deste diretor na atenção a toda uma série de pequenos detalhes e seu encadeamento.

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