Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

A internet em chamas

Por Flávio Aguiar: A internet está em chamas com o caso do dossiê/Serra. Internautas à beira de um ataque de nervos surgem em blogs, chats e sites. Mensagens antecipam a possível capa de uma revista semanal com 'O chefe da quadrilha' por título. A eleição mais chocha que eu já havia presenciado agora mudou!

Domingo, 24 de Setembro de 2006 às 14:26, por: CdB

Desde que o dossiê/Serra provocou o caso que hoje ocupa corações e mentes na política brasileira, a internet está em chamas. Mensagens, algumas frenéticas, cruzam as avenidas da rede e chegam aos becos mais profundos. Um clima de internautas à beira de um ataque de nervos tomou conta dos blogs, chats, páginas, sites e tudo o mais.

Comparações históricas - algumas histéricas - entraram em cena. De Gregório (o fiel escudeiro de Getúlio Vargas) a Nixon (o presidente norte-americano que perdeu o mandato depois de reeleito, por causa do caso Watergate), as lembranças pairam sobre a cabeça do presidente Lula, ora solidárias, ora ameaçadoras.

Mensagens antecipam a possível capa de prestigiosa revista semanal - hoje já sem tanto prestígio assim por causa dessas suas atitudes - em que se apresentaria uma foto-montagem com o presidente algemado e algo como "O chefe da quadrilha" por título. Outras falam que é necessário começar a preparar, como fez em 1961 o então governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, uma Rede da Legalidade, para garantir a posse e o governo de Lula, caso ele seja reeleito.

Outras mensagens e outros comentários, na internet e fora dela, vaticinam: o segundo governo Lula, se houver, vai ser um inferno astral contínuo. Lula não vai governar, vai se arrastar penosamente. Há quem pergunte como Lula vai governar com a classe média e os mais escolarizados de costas para ele (embora as pesquisas indiquem mais um empate técnico nestes setores do que outra coisa). E mais: como ele poderá (ou ousará?) governar contra os sacrossantos "formadores de opinião"? (É claro que nesse caso só se considera "formador de opinião" quem é pró-Alckmin. Os outros, os pró-Lula, são continuamente enxovalhados na imprensa ou citados por quem assim pensa, como escritores, intelectuais, professores que perderam o senso, a espinha e a ética).

Até então a eleição deste ano fora a mais chocha que eu já presenciei. Um autêntico espírito de chuchu sem gosto nenhum parecia dar-lhe o tom. Mas subitamente o chuchu se apimentou! Até as ruas das cidades estão mudando. Os cavaletes com fotos de candidatos estão se multiplicando. No bairro onde moro, Vila Indiana, ao lado da Universidade de São Paulo e do Instituto Butantan, as bandeiras e faixas espontâneas começam a aparecer na fachada das casas e apartamentos. Muitas vermelhas e brancas, e - vejam só - estreladas!

O frenesi internáutico e a febrícula que só agora começa a subir nas ruas mostram que o espaço de disputa das eleições está mudando. Fala-se em impugnar a candidatura do presidente. Mas até agora, para depor um presidente (pois é disto que se trata), era necessário ocupar as ruas, com povo ou com tanques. Quem vai fazer isso? As oposições? Ora, direis, as oposições! Elas não têm mais tanques, nem manifestam saudades ou desejo de povo nas ruas, manifestam, isto sim, saudades do Carlos Lacerda, e têm privilegiado a futrica jornaleira.

Mas o que acontecerá se elas partirem mesmo para a ignorância, agora ou depois? A verdade é que não se sabe. O frenesi internético se traduzirá nas ruas, em defesa do eventual mandato de um presidente cassado? É uma boa pergunta, e quem disser que sabe cabalmente a resposta está mentindo ou devaneando.

Desde o golpe de estado que levou Bush Filho ao seu primeiro mandato, dado através de uma contagem de votos nas urnas e consumado numa votação apertada no tribunal (4 x 3), o estilo golpista vem mudando de opções. O melhor exemplo é o da eleição no México, que seguiu o modelo norte-americano: mela-se a contagem dos votos nas urnas, os tribunais garantem a legalidade da fraude.

Mas será que isso é tão novo assim? Já que se falou em Getúlio, lembremos que esse era o estilo do golpe que as então direitas almejavam. Deixava-se o presidente isolado, depois os generais davam-lhe um ultimato, e o presidente sairia pela porta dos fundos da história, já que ousava agradar o povo, e não as elites ou o

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