Um dia após o IBAMA conceder a licença definitiva para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA) - 4ª feira desta semana - vem agora a Anistia Internacional pedir ao governo do Brasil que suspenda a obra até que, na visão dela (que tem sede em Londres) sejam atendidos os direitos da população indígena na área.
"O Brasil deve acatar as recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos para suspender a construção até que os direitos das comunidades indígenas locais estejam plenamente garantidos. Continuar com a construção da represa antes de assegurar que os direitos das comunidades indígenas estejam protegidos equivale a sacrificar os direitos humanos pelo desenvolvimento", dita a Anistia em um comunicado assinado por Guadalupe Marengo, sua subdiretora para a região das Américas.
Acontece que o governo brasileiro já demonstrou exaustivas vezes que trabalha para que os direitos destas populações indígenas e das demais ribeirinhas sejam respeitados e atendidos na execução da obra. Prestou estes esclarecimentos, inclusive, em abril pp. quando a mesma Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), invocada agora pela anistia fez idêntico pedido.
O governo só precisa de tempo para o cumprimento desse trabalho, já que parte dele - como saneamento e outras obras de infraestrutura na região - não pode ser feita da noite para o dia.
Esta oposição dos ecologistas, indígenas e do Ministério Público já provocou atraso no início das obras, paralisadas por vários anos com evidentes prejuízos ao desenvolvimento do país. Com 11.200 MW de potência e um custo previsto de US$ 11 bilhões, quando pronta Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo, superada apenas pelas de Itaipú e de Três Gargantas, na China.
Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026
Edições digital e impressa