Pobre Hilary Swank, não tem tido muita sorte nas telas. Em Amélia foi uma aviadora que sumiu sem deixar pistas; em A Colheita do Mal enfrentou pragas de proporções bíblicas; e, agora, em A Inquilina, encontra um locatário que está mais preocupado em persegui-la do que receber o aluguel em dia.
Pobre Hilary Swank, não tem tido muita sorte nas telas. Em Amélia foi uma aviadora que sumiu sem deixar pistas; em A Colheita do Mal enfrentou pragas de proporções bíblicas; e, agora, em A Inquilina, encontra um locatário que está mais preocupado em persegui-la do que receber o aluguel em dia.
Fica difícil entender as escolhas da atriz -- que tem grandes trabalhos em seu currículo, como Menina de Ouro e Meninos Não Choram, que inclusive lhe renderam dois Oscar.
Em A Inquilina, Hilary é Juliet, médica de pronto-socorro que se atola no trabalho para esquecer a separação. Ela encontra um apartamento, não muito novo, mas com preço acessível e perto de seu trabalho. No prédio moram apenas o dono, Max (Jeffrey Dean Morgan, de Os Predadores), e seu pai, August (o veterano Christopher Lee, da trilogia O Senhor dos Anéis).
Coisas estranhas acontecem, porque do contrário não haveria filme. Tudo balança quando o trem passa nos trilhos ao lado do prédio, uma taça de vinho tinto cai no piso branco e faz lembrar sangue -- esse é o ponto alto da direção nada inspirada do finlandês Antti Jokinen, que até o final dos intermináveis 90 minutos do longa vai abusar da boa vontade do público com o excesso de clichês.
Muito antes da metade da história, Max mostra que não é bem o sujeito bonzinho que até agora fingiu ser. Ele é obcecado por Juliet -- e não se dê ao trabalho de perguntar o porquê. Por isso, ele a observa por vãos e frestas que ligam os dois apartamentos. A moça, por sua vez, vai se deixando seduzir pelo locatário. Até o momento em que a trama caminha para a conclusão, que não poderia ser mais frustrante.
O tédio de A Inquilina deve muito ao fato de que Jokinen copia sem qualquer pudor clássicos e não-clássicos do gênero psicopatas-em-ação -- com a variante apartamento- maldito -- sem se dar ao trabalho de criar algo original. Estão aqui Psicose, Mulher Solteira Procura e até Invasão de Privacidade, sem falar na "trilogia do apartamento" de Roman Polanski: Repulsa ao Sexo, O Bebê de Rosemary e O Inquilino.
Mas Jokinen não sabe muito bem como orquestrar o pastiche de referências. A história é obvia demais para causar qualquer tipo de comoção no público. Não há tensão de qualquer espécie. E só a distraída Juliet custa a perceber que, algumas vezes, o aluguel anda pela hora da morte.
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