A independência de Kosovo, proclamada no último domingo, divide a União Européia e nesta segunda-feira os representantes do bloco se reuniram em Bruxelas para debater o reconhecimento do novo país balcânico. Apesar da oposição direta da Sérvia e da Rússia, que vem tentando, insistentemente, anular a declaração kosovar junto ao Conselho de Segurança da ONU, a maioria dos países da UE é a favor da constituição da nova nação.
França, Alemanha, Grã-Bretanha e Itália, os quatro maiores membros da UE, parecem apoiar a atitude do primeiro-ministro de Kosovo, Hashim Thaci e poderão ser os primeiros a reconhecer a independência com declarações oficiais durante a reunião desta segunda-feira.
A independência de Kosovo já é “implicitamente” aceita pela UE desde 2006. É o que afirma o ministro do Exterior de Portugal, Luis Amado. Segundo ele, desde que Bruxelas aprovou o plano de independência elaborado pelo ex-presidente finlandês Marti Athisaari, enviado especial da ONU a então província sérvia, a União Européia abriu as portas para o novo país.
A constituição da nova nação, no entanto, provoca divergências e sua separação da Sérvia não é bem vista por Espanha, Grécia, Chipre, Romênia, Bulgária e Eslováquia que temem que Kosovo possa servir de exemplo para outras regiões separatistas no mundo e em seus próprios territórios.
O governo do País Basco - região autônoma da Espanha onde atua o grupo separatista ETA - divulgou um comunicado, no domingo, referindo-se a Kosovo como 'um novo exemplo de vigência do direito democrático à livre determinação modelado na legislação internacional'.
O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, porém, não vê com clareza o fundamento legal que reconheceria a independência de Kosovo. A Rússia defende também que a separação abriria espaço para reivindicações semelhantes por parte das repúblicas autônomas de Abkázia e Ossétia do Sul, na Geórgia.
Ao chegar à reunião em Bruxelas, o alto representante da UE, Javier Solana, voltou a pedir 'responsabilidade' a todas as partes em Kosovo. Certamente não haverá uma posição comum do bloco, pois a UE deu carta branca a seus países membros. Mas os ministros do Exterior europeus deverão assinar nesta segunda-feira uma declaração na qual defendem que o antigo status de Kosovo é 'inaceitável' e que a UE apóia 'um Kosovo democrático e multiétnico' em que (a UE) pretende ter 'um papel de liderança' para ajudar a estabelecer a democracia.
Nessa reunião o bloco deverá chegar a um acordo apenas em relação à missão de 1,8 mil policiais e juízes que pretende enviar nos próximos dias para substituir a missão da ONU que administra a antiga província sérvia.