No dia 18 de setembro, os petistas terão a oportunidade de iniciar uma nova etapa na vida do partido, transformando o desencanto em ação e julgando politicamente os responsáveis pela crise que ameaça a sobrevivência do PT.
Esse julgamento interessa à toda sociedade brasileira.
No próximo domingo, dia 18 de setembro, milhares de petistas, em todo o Brasil, terão a oportunidade de ir às urnas para renovar a direção do PT em todos os níveis, municipal, estadual e nacional.
O Processo de Eleições Diretas (PED) ocorre no momento em que o partido vive a maior crise de sua história. Pode parecer para alguns, que a crise vivida pelo PT diz respeito exclusivamente ao partido.
É uma percepção enganosa. Ela diz respeito à toda esquerda brasileira, independentemente das divergências que outras forças tenham com o PT.
E isso é assim porque os acontecimentos da crise abriram uma ampla e inédita janela para as forças políticas conservadoras do país lançarem uma grande ofensiva contra a própria idéia de esquerda. Isso ficou muito claro nas palavras do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) que disse, empolgado: "vamos nos ver livre dessa raça por 30 anos". O banqueiro não estava se referindo exclusivamente ao petista, mas à esquerda.
Isso fica claro também em editoriais de vários jornais da grande mídia que, ao falar sobre a crise que atingiu o PT e o governo Lula, fazem uma ligação direta com as experiências da esquerda no século XX, que, segundo eles, estariam todas contaminadas pelo vírus da corrupção e do autoritarismo.
Enganam-se, pois, aqueles que acreditam que a natureza da atual crise política está circunscrita ao universo petista. A dimensão simbólica da narrativa conservadora construída em torno da crise mostra que o alvo é bem mais amplo e ambicioso.
Neste contexto, a eleição interna do PT constitui-se numa oportunidade ímpar para julgar politicamente os dirigentes petistas que abriram essa imensa janela para a direita brasileira. E a responsabilidade por esse julgamento está nas mãos de milhares de militantes petistas. Sucumbir ao desencanto e à frustração, neste momento, e abdicar do direito de votar, serve justamente aos responsáveis pela crise no PT.
Um baixo comparecimento nas urnas petistas só interessa a quem não deseja uma profunda transformação no partido e a quem não quer uma apuração rigorosa de todas as irregularidades cometidas por alguns de seus dirigentes.
Seria paradoxal, portanto, que o desencanto provocado pela onda de denúncias que se abateu sobre o partido acabasse por beneficiar justamente aqueles que estão envolvidos neste processo.
Esse paradoxo está à espreita nos próximos dias, podendo desferir mais um duro golpe na esperança daqueles que ainda apostam na reconstrução de um patrimônio construído duramente ao longo dos últimos 25 anos.
A eleição interna de 18 de setembro é uma oportunidade para defender esse patrimônio e, ao mesmo tempo, fazer um balanço crítico dos erros cometidos neste período.
Erros que não foram poucos e que servem como lição também para outros partidos de esquerda que não estão imunes aos vícios estruturais da cultura política brasileira.
Esses vícios acabaram por contaminar também as estruturas internas petistas. E comparecer às urnas na eleição interna do PT é importante também por isso.
Ao participar do processo eleitoral, os militantes petistas têm a oportunidade de fiscalizar o funcionamento do pleito, evitando a repetição de práticas como o transporte de eleitores e o pagamento de dívidas de filiados por terceiros na boca da urna, entre outras. Portanto, não faltam razões para justificar uma participação ativa no processo eleitoral.
É importante insistir que os motivos que, aparentemente, justificariam um não comparecimento são auto-contraditórios, ou seja, eles fortalecem justamente aquilo que ajudou a alimentar o clima de desilusão e indignação que tomou c