Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2026

A Imelda brasileira

Por Gilberto Maringoni - A primeira-dama paulista Maria Lucia (Lu) Alckmin parece não se dar conta que suscitou uma comparação incômoda. O caso de seus 400 vestidos remete de imediato a outra primeira-dama, famosa por seus exageros no guarda-roupa. (Leia Mais)

Domingo, 23 de Abril de 2006 às 10:38, por: CdB

Todos se lembram da dona Imelda Marcos. Primeira-dama das Filipinas, entre 1965 e 1986, ela tem uma personalidade oposta à de dona Lu em muitas coisas. Escandalosa e falastrona, adora armar barraco por coisa pouca, enquanto a presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo faz um estilo bem mais discreto. Ou low-profile, como se diz por aí. Mas dona Lu, como Imelda, caminha célere para se tornar um ícone das peruas emergentes e símbolo maior de nossas cascatas murmurantes. Cascatas aqui, no sentido do verbo cascatear.

Obra imortal

A obra que imortalizou dona Imelda para todo o sempre é sua coleção de sapatos. São cerca de três mil pares, de grifes européias variadas, num país onde a maior parte da população mal tem o que vestir. Os adornos para os pés de dona Imelda vieram a público após a queda do regime ditatorial capitaneado por seu marido, Ferdinand Marcos. Ela protestou vivamente contra a divulgação. "Não são três mil, são mil e sessenta!". Ah, bom. Alguns calçados eram tão espalhafatosos que fizeram a delícia de certa imprensa, à cata de novidades bizarras. A partir daí, o nome Imelda batizou inúmeras butiques, bares, lojas e estabelecimentos comerciais descolados ao redor do mundo. Convenhamos, é a glória.

Dona Imelda tem um senso de humor meio exótico. É dela a seguinte pérola: "Nasci ostentando. Qualquer dia vão dicionarizar meu nome. Usarão 'Imeldificar' como sinônimo de ostentação e extravagância".

Com que roupa?

Não se conhece o número de pares de sapatos de dona Lu Alckmin. Mas já se tem uma idéia do tamanho de seu guarda-roupa. Só do estilista Rogério Figueiredo, no dizer do próprio, dona Lu ganhou 400 modelitos. Um número razoável na escala internacional da imeldificação. Isso, sem contar conjuntos que ela já tem, como os Valentino, Blueberry, Chanel e Seven. Dona Lu diz que não são 400, são 40.

Os admiradores de dona Lu criaram cinco comunidades em seu louvor no Orkut. Uma delas busca "ser uma grande homenagem à futura primeira-dama dos tupinambás em 2006. Afinal já estamos fartos de primeiras-damas feias, lúgubres, insípidas e ridículas". E vai adiante: "Ora, por que só ELES podem possuir uma Jackeline Kennedy ?". Outro grupo virtual a batiza de "a princesa Diana de São Paulo.

Como toda primeira dama, dona Lu dedica-se a obras assistenciais e mereceu do ex-secretário de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, um livro, chamado "Seis lições de solidariedade". A página da Editora Gente, na Internet diz que a obra "retrata as experiências vividas pela primeira dama (...) que acredita e defende que a ação solidária e o movimento do amor podem transformar a vida das pessoas". Deve ser bonito o trabalho de dona Lu na área, não há porque se duvidar disso.

Quando não é mimoseada por Rogério Figueiredo, dona Lu dá uma passadinha na Daslu, para umas comprinhas. Lá, onde sua filha Sophia já bateu cartão de ponto, ela lamentavelmente tem de colocar a mão no bolso. Ou na bolsa. Os vestidos custam entre R$ 1,5 mil a R$ 15 mil. Certamente um sacrifício para o salário de R$ 14 mil de seu marido, agora funcionário público desempregado.

Atendimento exclusivo

Rogério Figueiredo, natural de Taubaté, no vale do Paraíba, região do casal Geraldo e Lu Alckmin e Gabriel Chalita, aos 33 anos já é um sucesso. É dono de um ateliê - ou maison - de 800 metros quadrados, onde trabalham 80 pessoas, nos Jardins, a região elegante da capital paulista. De acordo com sua página na internet, da lista de clientes "constam as primeira-damas Lu Alckmin e Fanny Leiner, além de nomes da sociedade e do show-business como Betty Faria, Astrid Fontenele, Beth Szafir, Cristiana Oliveira, Beatriz Segall, Yara Baumgart, Ruth Escobar, Hebe Camargo, Mila Moreira, Ana Maria Braga, Regina e Gabriela Duarte, entre outras mulheres influentes e de estilo".

Rogério Figueiredo não vende roupas a granel. Seg

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