Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

<i>A Ilha</i> estréia com promessa de boa bilheteria

A Ilha estréia nesta sexta-feira e começa como ficção científica agressiva, mas depois se transforma em um drama sobre uma perseguição e se apresenta como forte candidato aos primeiros lugares nas bilheterias do fim de semana. (Leia Mais)

Quinta, 04 de Agosto de 2005 às 19:49, por: CdB

A Ilha estréia nesta sexta-feira e começa como ficção científica agressiva, mas depois se transforma em um drama sobre uma perseguição e se apresenta como forte candidato aos primeiros lugares nas bilheterias do fim de semana. A produção, com Ewan McGregor e Scarlett Johansson, começa com uma série de sequências de perseguição bem implausíveis, mas divertidas, e usa quase todo o arsenal convencional dos longas de ação, desde efeitos digitais até sets e locações impressionantes.

Por algum tempo, a história sobre clones humanos criada pelos roteiristas parece reciclar diversas ficções científicas antigas. Mas o clima é de filme contemporâneo. O que preocupa, politicamente falando, é que os criadores de A Ilha, possivelmente sem ter consciência disso, fizeram um filme que fundamenta as teses da direita religiosa.

O longa-metragem, com direção de Michael Bay, é uma história de terror ético em que cientistas que fazem experiências em genética humana, visando promover os avanços da medicina, são retratados como vilões em estilo Dr. Frankenstein. O vilão chefe, o Dr. Merrick (Sean Bean), tem um discurso padrão em que fala da cura da leucemia -- mas percebe-se que o que realmente o move é a cobiça.

A história se passa num ambiente totalmente controlado, cujos habitantes, sempre vestidos de branco, levam vidas sem objetivo, supostamente protegidos da contaminação mundial resultante de um desastre ecológico. O espectador sabe desde o começo que essa tese é falsa. Na verdade, uma força policial onipotente monitora todas as funções corporais, é obcecada com a "proximidade" entre homens e mulheres na população, que vive quase segregada, e fala dos moradores, pelas costas, como "produtos".

Clonagem

O filme só decola quando o curioso e inquieto Lincoln Six Echo (Ewan McGregor) descobre a verdade sobre o local, algo que 95% dos espectadores já terão adivinhado. Ele chama sua colega Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson) para fugir com ele daquele ambiente falso, em direção ao mundo real. Os dois se vêem no deserto do Arizona, sendo perseguidos por um exército particular encabeçado pelo comandante Albert Laurent (Djimon Hounsou).

Quem vai ajudá-los é um funcionário do local, McCord (Steve Buscemi), que sabe de tudo e, no passado, levou bebidas e outros objetos de contrabando a Lincoln. Os dois fugitivos encontram McCord num bar no deserto e ele, sentindo-se culpado por seu envolvimento no empreendimento de clonagem, concorda em ajudá-los.

Existe uma lei infalível no cinema que reza que, assim que Steve Buscemi aparece num filme, todos os melhores diálogos e as partes cômicas automaticamente funcionam.

Em A Ilha, a mesma coisa acontece, e o ator, praticamente sozinho, faz o motor do filme pegar no tranco. Quando ele deixa a história repentinamente, sua ausência é verdadeiramente sentida. O resto do filme é animado por dois elementos. O primeiro são as perseguições altamente criativas que acontecem nas autopistas e vias aéreas do futuro.

O segundo elemento é McGregor representando tanto o Lincoln original quanto seu clone, um com sotaque escocês e o outro falando como norte-americano. Numa cena espantosa de luta, usando câmeras de controle de movimento, McGregor chega a lutar com ele mesmo.

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