Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

A Grécia avança e o Brasil recua

Por Rui Martins - Não está assim tão longe que seja difícil de lembrar. Lula ao chegar pela primeira vez no Fórum Econômico de Davos era tão famoso quanto Alexis Tsipras, o ícone político da Grécia de hoje, líder do partido da extrema esquerda grega, Syriza. Lula era uma esperança, vitorioso numa eleição que, pela primeira vez, colocava o povo no poder, não só por sintetizar a mestiçagem brasileira contra a elite branca como por ser o coroamento da carreira de um sindicalista filho de retirantes mais que pobres, miseráveis.

Segunda, 26 de Janeiro de 2015 às 13:00, por: CdB
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Enquanto o partido da extrema esquerda grega sobe, o PT perde a credibilidade e logo será como o Pasok grego
Não está assim tão longe que seja difícil de lembrar. Lula ao chegar pela primeira vez no Fórum Econômico de Davos era tão famoso no mundo quanto Alexis Tsipras, o ícone político da Grécia de hoje, líder do partido da extrema esquerda grega, Syriza. Lula era uma esperança, vitorioso numa eleição que, pela primeira vez, colocava o povo no poder, não só por sintetizar a mestiçagem brasileira contra a elite branca como por ser o coroamento da carreira de um sindicalista filho de retirantes mais que pobres, miseráveis. Por que Alexis Tsipras é manchete em todos os jornais e por que muitos com ele se empolgam, mesmo fora da Grécia? Por resumir a coragem do povo criador da democracia em enfrentar o poder financeiro europeu. Induzidos ao endividamento pelos países europeus, que puderam lhes vender e lucrar com produtos desnecessários, os gregos foram, a seguir, humilhados por uma União Européia fria, calculista, em nome de uma austeridade que só beneficia os bancos e as grandes multinacionais. As eleições gregas foram um ajuste de contas com a senhora Angela Merkel e poderão servir de inspiração para os espanhóis e portugueses. Podem significar o fim da supremacia dos argumentos financeiros dos grandes capitais sobre a realidade social da população européia, grande parte desempregada e com diminuição do valor do salário para sobreviver. Deve haver uma outra maneira de se dirigir a economia européia, capaz de colocar um fim à crescente desigualdade social e limitar a multiplicação desenfreada dos lucros das grandes multinacionais. É essa a esperança dos eleitores gregos. Ao mesmo tempo, essa é a inquietação da União Européia diante do que fará o líder Tsipras com a dívida de 27 bilhões de euros da Grécia com o Banco Nacional Europeu. Uma decretação de moratória poderá fazer despencar o valor do euro e arrastar consigo a União Européia. Existe uma outra política econômica para a União Européia? Jean-Luc Melanchon, líder francês da extrema-esquerda, tem certeza da existência de outras soluções sociais e não financeiras. Enquanto, no sábado, a Grécia se preparava para votar e celebrar a vitória de uma nova esperança, o ministro brasileiro da Fazenda, Joaquim Levy, fazia, no Fórum de Davos, a confissão de soluções inversas, falando em incertezas, falta de confiança e pedindo investimentos. O que teria provocado uma reversão das expectativas brasileiras, da euforia da posse de Lula ao desanimo de hoje após a reeleição de Dilma? Ao inverso da euforia grega, o Brasil vive o desencanto e o pessimismo, não se entende porque houve tanta insistência de Dilma para obter um novo mandato, provocando mesmo uma rachadura com os lulistas, se seu Ministério e este seu primeiro mês mostram desacertos e medidas justamente opostas às prometidas na campanha eleitoral.  Ao contrário do partido Syriza, comemorando uma nova maneira de se dirigir a União Européia, o PT de há doze anos se desprestigiou e comprometeu sua credibilidade com os escândalos de financiamento de partido e agora de corrupção. O PT vai se tornar o Pasok brasileiro e a verdadeira esquerda precisa se descartar da sua nocividade, abrindo uma nova fronteira com novas lideranças e reais reformas capazes de se permitir ao povo eleger verdadeiros representantes, colocando para fora como água servida os enganadores e corruptos de sempre. E é preciso também se desmistificar e denunciar tantos blogs transformados em caixas de ressonância do Planalto, alguns mesmo financiados pelo Oriente Médio, que ameaçam romper o legado laico em favor de compromissos com religiosos que são um retrocesso em matéria de direitos humanos e do respeito e igualdade social das mulheres. <b>Rui Martins</b>, jornalista, escritor, editor do <b>Direto da Redação</b>
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