Tenho sido perguntado hoje sobre a principal reportagem publicada pela editoria de Política do jornal O Estado de S.Paulo no fim de semana (domingo), feita em cima de uma pesquisa realizada entre 2003 e 2007 por encomenda do próprio Ministério do Desenvolvimento Social.
O levantamento indica que os beneficiários do Bolsa passam menos tempo empregados e que, ao perderem o emprego, demoram mais tempo para achar nova colocação com carteira assinada. Voltamos à velha discussão preferida, aliás, dos críticos do programa que o apontam como meramente assistencialista.
Não é. Melhorou as condições de sobrevivência e de vida de milhões de brasileiros - beneficia, hoje, quase 14 mil famílias - mas é realmente procedente, e mais uma vez oportuna, a discussão sobre as "alternativas de saída" para seus beneficiários.
Várias alternativas e uma principal
Aos que me perguntam, hoje, sobre a saída eu respondo que ela existe em muitas variantes, tais como programas de alfabetização, de desenvolvimento local, de profissionalização e, no acesso maciço ao crédito - muitas destas já adotadas e em execução pelo governo.
Mas destaco que a saída principal está realmente na alternativa adotada pelo governo Lula e que terá continuidade na gestão da presidenta Dilma Rousseff: a manutenção do crescimento econômico e dos investimentos públicos.
Estão aí, nessas propostas a alternativa para a entrada no mercado de trabalho dos beneficiários da Bolsa. Sem a sua ampliação, sem empregos e crescimento da renda, nada acontecerá nesse campo. As famílias beneficiadas continuarão vivendo num meio social e econômico sem oportunidades.
Poder local pode fazer muito
Cabe, também - e muito - ao poder local, em maior escala aos municípios e Estados, incentivar e apoiar iniciativas de emprego e renda. Ele pode e deve fazê-lo. Do contrário, não solucionaremos a questão.
Continuaremos fornecendo munição a tantos conservadores da direita que, com a desculpa de que o programa é assistencialista, querem na verdade a sua pura e simples extinção. Como defendiam tucanos e democratas na campanha presidencial do ano passado.
Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026
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