Rio de Janeiro, 05 de Agosto de 2026

A Folha põe o dedo na banda podre da polícia

Sexta, 11 de Março de 2011 às 10:05, por: CdB

A Folha de S.Paulo, aliás, desta vez muito justamente, está fazendo um carnaval sobre o vazamento de um vídeo gravado pelas câmeras do circuito interno do Shopping Higienópolis, que registra um encontro no local entre o secretário de Segurança Pública do Estado, Antônio Ferreira Pinto e um repórter do jornal.

O vídeo vazou, inicialmente no site de um radialista de São José dos Campos e logo depois se disseminou por vários blogs, um deles ligado a policiais civis. Um dos articulistas da Folha, Fernando de Barros e Silva tem toda razão quando abre sua coluna no jornal, hoje, com a pergunta: "A quem interessaria espionar (e desestabilizar) o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo?"

Na sequência de seu artigo ele diz, veladamente, que o encontro do secretário com o repórter faria parte da estratégia que possibilitou a demissão, semana passada, de Túlio Kahn, antigo e alto funcionário da Segurança Pública que, detentor de dados sigilosos para uso do governo paulista e que não chegavam à opinião pública, montou uma empresa e vendia essas informações a seus clientes.

Jornal tem razão, mas já usou o mesmo expediente


No artigo Fernando Barros assinala, também, que a gravação e vazamento interessa à banda da polícia paulista que está em guerra para derrubar o secretário Antônio Ferreira Pinto. "Na gestão de Ferreira, cerca de 900 delegados, do total de 3.300 do Estado foram ou estão sendo investigados pela Corregedoria" da polícia paulista.

"Cardeais da Polícia civil afastados por suspeita de corrupção fazem lobby pela queda do secretário desde o ano passado", lembra, ainda, o articulista. Deixa, assim, evidente que o caso (gravação e vazamento) tem o agravante de serem policiais investigados por corrupção os prováveis responsáveis pela quebra e violação do sigilo.

A Folha, como reconheci no início, tem toda razão ao noticiar o fato. Só se esquece de dizer que se fosse ela que tivesse tido acesso a gravação, tinha dado manchete e defendido o vazamento. Como fez sempre com o sigilo de processos que correm em segredo de justiça. É ou não é um fato que o jornalão sempre utilizou esse expediente que agora - com razão insisto - condena?

 

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