No comportamento do presidente da França, Nicolas Sarkozy e do premiê da Itália, Sílvio Berlusconi (leiam a nota "Teatro de encenações das potências encobre intervenção na Líbia") temos o retrato perfeito e sem retoques do tipo de liderança que existe hoje no mundo, da falência da Organização das Nações Unidas (ONU) e do acerto da posição e voto brasileiros em seu Conselho de Segurança (CS).
No caso do Brasil, a sanção à Líbia e o mais completo silêncio em relação à invasão e repressão no Bahrein mostram a necessidade de nosso país assimilar a lição e preparar-se para se defender sozinho quando necessário.
Corretíssima, portanto, a posição brasileira ao abster-se na sessão de ontem do CS que aprovou a intervenção na Líbia, camuflada por essa história do estabelecimento de uma zona de exclusão aérea.
Brasil mostra tratamento diferenciado à Líbia e ao Bahrein
Ainda que recorrendo aos eufemismos comuns na linguagem diplomática - quando justificou a abstenção com o argumento de que o país não está convencido de que usar a força protegerá civis - o Brasil deixa claro que sabe e é contra o fato de a rebelião popular no Bahrein (onde há o uso da força das tropas invasoras) estar sendo reprimida com apoio dos EUA e o silêncio da ONU.
Ao abster-se - ao lado dos três outros BRICs, Rússia, Índia e China, e da Alemanha - nosso país deixa claro seu repúdio a este cinismo com que EUA e demais potências, via ONU, tentam encobrir a intervenção na Líbia.
É uma posição acertada, que merece todo apoio, até porque a história destas intervenções e experiências tem sido um desastre total. Aí está o caso da SomáliA (África) - sem falar nos do Iraque e do Afeganistão.
A falência da ONU e das lideranças mundiais
Sexta, 18 de Março de 2011 às 04:35, por: CdB