Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

A estratégia dos de cima

Domingo, 22 de Maio de 2011 às 13:10, por: CdB

22/05/2011 às 18:50

Texto de Raúl Zibechi publicado em La Jornada (em espanhol)

Qualquer plano de ação dos movimentos anti-sistêmicos deve partir de uma compreensão o mais completa e abrangente possível dos objetivos estratégicos que perseguem os grupos dominantes, ou seja, a tecnoburocracia que dirige os pricipais fios do poder global. Não se trata de erguer uma estratégia alternativa em relação simétrica, mas de compreender como as classes dominantes planejam se perpetuar no lugar atual, para nos preparar e manobrar em seguida.

Nos últimos anos vai ganhando corpo a opção fascista. O nascimento e expansão do Tea Party (movimento de ultra-direita dos Estados Unidos), o ascenso da extrema-direita na França e a direitização até limites perigosos de algumas direitas européias como a espanhola, são sinais de alerta. Na américa latina, a consolidação da oligarquia colombiana e o provável retorno dos Fujimori ao governo no Peru são sintomas mais que preocupantes.

Por fascismo não quero dizer uma ideologia, mas a militarização e extermínio dos de baixo organizados em movimento. É evidente que esses passos podem se dar sem deixar de pronunciar frases "democráticas" e que o extermínio pode ser realizado por governantes saídos das urnas, toda vez que o sistema político tenha ficado reduzido a um exercício eleitoral que não se traduz em mudanças estruturais. Haiti, Colombia e México nos ensinam que militarização, extermínio e "democracia" são inteiramente compatíveis. A recente proposta de Douglas Fraser, chefe do Comando Sul, para abrir uma nova frente de guerra no sul do México e no triângulo Guatemala-El Salvador-Honduras, que define como "a zona mais letal do mundo sem contar as zonas de guerras ativas", ensina quem toma as grandes decisões que nos afetam.

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