A "esquizofrenia" também afeta os mercadosApesar da recuperação das bolsas na sexta-feira, que permitiu a recuperação de aproximadamente 252 bilhões de euros, os mercados da União Europeia seguem muito nervosos, com uma tendência de volatilidade que alguns analistas definiram diretamente como “esquizofrênica”. A tendência de alta do fechamento da semana indica que a especulação parece ter perdido força, sobretudo graças à decisão tomada por Itália, Espanha, França e Bélgica, que proibiram as vendas a descoberto para acalmar os mercados.
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Após uma semana se seguidas quedas, as bolsas europeias fecharam em alta, sexta-feira, impulsionadas pela marcha positiva de Wall Street e pela aposta dos operadores nos papeis dos bancos e da indústria automotriz. Também foram favorecidos outros setores, como o das matérias primas e dos seguros que recuperaram parte do terreno perdido nos últimos dias.
Londres fechou com uma alta de 3,04%; Paris, 4.02%; Frankfurt, 3,45; Madri, 4,82% e Milão, 4%, tendência influenciada, entre outros fatores, pelo desempenho de Wall Street, que se manteve positiva, e pelo pouco impacto que teve a queda da confiança dos consumidores estadunidenses em agosto, dado divulgado pela Universidade de Michigan.
O índice industrial Dow Jones fechou com uma alta moderada, de 1,13%, um pouco maior que a subida da Nasdaq, 0,61%, alentada pelo congelamento das taxas de juros por parte da Reserva Federal. Zurich também respirou, subindo 4,37%, do mesmo modo que Amsterdã, que teve uma alta de 3,22%, e Estocolmo, que terminou a sexta com uma alta de 2,12%.
Mas para além desse fechamento, que permitiu a recuperação de aproximadamente 252 bilhões de euros, na capitalização das principais Bolsas da região, os mercados da União Europeia seguem muito nervosos, com uma tendência de volatilidade que alguns analistas definiram diretamente como “esquizofrênica”.
A clara tendência de alta do fechamento da semana demonstra, de todo modo, que a especulação parece ter perdido força, sobretudo graças à decisão conjunta tomada pelas autoridades das bolsas na Itália, Espanha, França e Bélgica, que proibiram as vendas a descoberto precisamente para acalmar os mercados. O Consob, organismo de controle italiano, justificou a decisão pela “situação extraordinária das condições de mercado durante agosto, caracterizadas por um forte aumento da volatilidade”.
A medida nos quatro países segue os passos já tomados na Grécia em 9 de agosto e depois na Alemanha, país que proibiu somente as operações “naked”, aquelas nas quais o vendedor não entrega o papel no momento do fechamento da transação. “Os órgãos de controle europeus seguirão monitorando muito atentamente os mercados”, disse a ANSA, um porta-voz do European Securities and Markets Authority, que não precisou por quanto tempo a medida ficará em vigor.
A decisão foi recebida muito positivamente pela União Europeia que pediu a aprovação de normas comuns para todos os países membros. “Nossa política monetária seria mais eficaz e coordenada se existisse um marco europeu único para todas as vendas a descoberto”, disse a porta-voz da Comissão Europeia para o Mercado Interno, Michel Barnier.
A proposta da Comissão prevê reforçar as sanções administrativas e penais – que incluem até a condenação à prisão para os casos mais graves – para tornar mais eficazes os controles e mais transparentes todas as transações financeiras na UE. No longo prazo, alguns líderes europeus apontam para reformas de fundo, “já que não é possível seguir mantendo o status quo atual”, destacou o ministro francês de Economia, François Baroin, que recordou que estes serão precisamente os temas que serão tratados pelo presidente Nicholas Sarkozy e pela chanceler alemã, Angela Merkel, na reunião que terão terça-feira.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer