Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

A esperança é a última que mata

Por Laurez Cerqueira - Este verso do poeta brasiliense, Nicolas Behr, parece traduzir o sentimento de grande parte dos militantes do PT neste momento. Principalmente daqueles que surfaram na onda que se ergueu nas ruas e se espatifaram nas instituições da "república senhorial". (Leia Mais)

Segunda, 19 de Setembro de 2005 às 09:12, por: CdB

Este verso do poeta brasiliense, Nicolas Behr, parece traduzir o sentimento de grande parte dos militantes do PT neste momento. Principalmente daqueles que surfaram na onda que se ergueu nas ruas e se espatifaram nas instituições da "república senhorial".

Este verso do poeta brasiliense, Nicolas Behr, do seu livro "Iogurte com Farinha (anos 70), parece traduzir o sentimento de grande parte dos militantes do PT neste momento.

Principalmente daqueles que surfaram na onda que se ergueu nas ruas e se espatifaram nas instituições da "república senhorial". Quem não tinha clareza da estratégia pode estar sofrendo mais, pois para eles parece que o sonho acabou. ]

Aqueles que se dedicaram aos núcleos de base do partido, no final dos anos 70 até os anos 80, e se firmaram na construção de uma estrutura pedagógica realmente libertária, foram abandonados no caminho pelo expresso apressado, que partiu direto do ABC para o ano 2002, como se a presidência da "república senhorial" fosse o fim da linha da história.

Os que resistiram à burocratização partidária, agora se erguem das cinzas como Fênix. Afinal, o Brasil não conquistou a verdadeira República democrática. Sequer conseguiu a abolição, pois "a conciliação pelo alto", como dizia o professor Florestan Fernandes, predominou nos momentos de ameaça de ruptura "pelos de baixo".

A "tática" de ocupar espaços nas instituições e transformá-las por dentro, como preconizado nos primeiros anos do PT, foi dando lugar ao carreirismo político. O partido foi sendo tragado pela burocracia estatal. As teses dos teóricos libertários, de que as forças da cultura do Estado burguês são poderosas, domesticam os rebeldes e na maioria das vezes os transformam em agentes dissipadores da rebelião de classe parece confirmada nesta crise. Poucos continuaram fieis à construção de uma outra ordem, que não a vigente.

A disputa por cargos de prefeito, vereador, deputado estadual, federal, senador, governador e depois presidente da República, tornou-se o objetivo maior do movimento. Sindicatos e outras entidades foram utilizados como trampolins para mandatos eletivos. Os mandatos eletivos, na sua maioria, privados, ("pessoal de fulano", "pessoal de cicrano", no jargão interno do PT), em muitos casos funcionam como condomínios de interesse. Perderam a liga coletiva e se transformaram em instrumentos de barganha política. Nos debates e decisões internas já se sabe com antecedência os discursos e os votos de cada um.

A crise partidária é grave e o momento é de ruptura dessa estrutura viciada. Apesar de tudo isso, não há como negar que o PT teceu uma cultura política nova no país. O PT, sem demérito dos demais partidos da esquerda, cumpre uma importante função pedagógica suplementar ao sistema educacional oficial na sociedade ao participar decisivamente do processo de aprofundamento da democracia e da promoção da cidadania. A intolerância da sociedade com a corrupção, em grande parte deve-se ao trabalho do PT na luta pela democratização do Estado.
A crise do PT, que atingiu o governo Lula, não é um fenômeno recente, isolado. Toda a institucionalidade, nos seus mais variados níveis, passa por um momento difícil. Lula foi eleito com o que restou da estrutura dos movimentos sindical e popular construídos nos anos 70 e 80, e, evidentemente, com o financiamento do empresariado de diversos ramos de atividade, duramente atingidos pela abertura econômica promovida pelos governos da década de 90.

É cada vez mais dramática a situação das centrais sindicais, dos poderosos sindicatos, que mobilizavam multidões no passado. Os movimentos pulsantes e ascendentes daquele período foram dando lugar a corridas eleitorais, com exceção de alguns movimentos como o MST, que se mantém numa perspectiva de rebelião permanente. Os movimentos vivem o dilema de apoiar o governo Lula e condenar sua política econômica. Isto porque, segundo integrantes do governo, o projeto econômico ori

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