Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2026

A escravatura na colónia portuguesa de Moçambique

Domingo, 15 de Maio de 2011 às 09:55, por: CdB

Muhipiti (ilha) e a Zambézia de 1800 ? 1840

A escravatura na colónia portuguesa de Moçambique - Um povo que desconhece a sua verdadeira História é um povo de alma distorcida. Será um povo à deriva como um barco sem destino empurrado pelo vento. Encalhando aqui e ali em portos de preconceitos mais tenebrosos que o levará à destruição de sua identidade cultural.

Introdução

Um povo que desconhece a sua verdadeira História é um povo de alma distorcida. Será um povo à deriva como um barco sem destino empurrado pelo vento. Encalhando aqui e ali em portos de preconceitos mais tenebrosos que o levará à destruição de sua identidade cultural.

Será esta a actualidade em Moçambique?

Dentro deste pressuposto, quem disse que os ?pretos? vendiam os ?pretos? voluntariamente aos ?brancos?? Não será de facto um plano diabolizante de distorcer a memória histórica às recentes gerações africanas? Sem dúvida são tentativas para diluir a verdade documentada, do grande Holocausto em África de 1441 a 1900 . (Escravatura iniciada em 1441 pelos portugueses chefiados por Antão Gonçalves (e Nuno Tristão) da Escola de Sagres). Com os judeus bem que tentaram distorcer a história, ?esses historiadores de consciência pesada?, ao focarem apenas aspectos pontuais de servilismos forçados de judeus a serviço do nazismo, contra outros judeus, na denúncia, no sipaismo e controlo até nos campos de concentração. Mas o lobby judeu é poderoso e tem a máquina cinematográfica de Hollywood com eles para perpetuar a memória colectiva condignamente. E nós os A-ana ? orripa, eternos ?condenados da terra?, que cinema é que temos?

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Na apresentação do Livro (do autor desta coluna) intitulado: Moçambique, Feitiços, Cobras e Lagartos ? crónicas romanceadas, o Historiador Moçambicano, internacionalmente conhecido, Luís Covane, leu em 14 de Março de 2003 no Instituto Camões em Maputo:

?João Craveirinha é um investigador, escritor, amante da história e cultura moçambicanas que dispensa apresentação.? (?)? A escrita é a forma que João Craveirinha elegeu para o diálogo, sempre necessário, sobre o nosso passado, presente e perspectivas do futuro.?(?)?A história tem um papel a desempenhar na afirmação de uma sociedade e de um povo. No nosso caso, a história oferece os alicerces da Moçambicanidade.?(?)?É muito interessante a citação extraída de uma publicação colonial referente à posição de Manicusse em relação ao comércio dos escravos: ?Aquele que vende seu semelhante merece com justiça ser perseguido e caçado mais do que os leopardos e leões...?. Esta declaração do 1º Imperador de Gaza ajuda a esclarecer a natureza dos poderes africanos antes da conquista colonial e permite fazer uma avaliação diferenciada dos interesses e fontes do poder. Ficamos a saber que nem todos os aristocratas africanos viam no comércio de escravos uma forma importante de acumulação de riqueza e de reforço do seu poder e prestígio. Aprendemos igualmente que a justificação dos europeus para a prática do comércio de escravos não era por razões humanitárias. Os ideólogos europeus da última fase do capital mercantil em África sustentavam que a transformação do homem em mercadoria era para salvar os cativos das infinitas guerras sangrentas que caracterizavam a África Negra. Agora ficamos a saber que era mentira! Eram os europeus que instigavam as guerras intra e inter estados, reinos e chefaturas como forma de produção de escravos.? in Luís Covane, 2003 (actual vice-ministro da Educação e Cultura de Moçambique).

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Mas, vamos ler com maior atenção ainda (ortografia no original) , excertos do Relatório colonial de 1881, confidencial e insuspeito, publicado em Lisbo a pelo português reinol, o Visconde da Arriaga, presidente juiz de direito, Governador ? geral de Moçambique e Deputado às Cortes do Reino de Portugal, no século XIX, que dizia sobre a escravatura em Moçambique (no norte e centro):

- ??mas os régulos do sertão prestavam-se e esta mercancia sempre constrangidos (?) sendo necessário aos brancos europeus empregarem o artifício e a violência para a conseguirem??

??A escravatura tornou-se um delirio durante os primeiros quarenta annos d?este seculo (sec.XIX, 1800-1840), e quanto mais se desenvolvia a America, tanto mais se despovoava e empobrecia a Africa! Chegaram a navegar annualmente para o porto de Moçambique (ilha) e Quilimane á procura de pretos mais de quarenta navios de differentes nações! Em 1820, os habitantes de Quilimane, que pela sua riqueza se consideravam a povoação mais importante e aristocratica da provincia, proclamaram-se independentes desligando-se do governo da capital e unindo-se ao Rio de Janeiro?(?)

?Presidindo em Moçambique (ilha), como juiz de direito á venda em leilão de 52 pretos pertencentes á herança d?um Baneane, natural da India, causou-me horror e vergonha, quando procedendo-se em separado á d?uma preta, engommadeira, que trazia pela mão um filho de 8 annos, e outro ao colo a vi chorar lágrimas de sangue por este desprezo dos sentimentos da natureza?(...)

?Os cem prazos da corôa, que abrangem um territorio muito maior que a península ibérica?(?)?estão quasi todos abandonados, por que os seus habitantes foram vendidos para a America, e os senhores depois d?esta vergonhosa venda e ricos, seguiram quasi todos o mesmo caminho, vindo alguns para a Europa?(?)

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