Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

A eleição palestina em Jerusalém

Quarta, 25 de Janeiro de 2006 às 08:29, por: CdB

Muitos palestinos em Jerusalém Oriental disseram que iriam vão votar nas eleições parlamentares desta quarta feira. Muitos temem perder seus direitos como residentes da cidade, enquanto outros preferem se abster porque não confiam nos políticos palestinos. Dos 105 mil eleitores palestinos em Jerusalém apenas 49 mil se registraram para votar. Segundo o acordo entre Israel e a Autoridade Palestina, apenas 5 mil desses eleitores poderão votar dentro da cidade, enquanto a maioria terá que se deslocar para urnas nos vilarejos da periferia. A votação dentro da zona municipal de Jerusalém foi realizada em seis agências do correio israelense.

A questão da votação dos palestinos de Jerusalém Oriental quase provocou o cancelamento das eleições. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, tinha ameaçado cancelar o pleito se o governo israelense não autorizasse a participação dos residentes da cidade. Depois da ameaça e de pressão do governo norte-americano, as autoridades israelenses acabaram concordando em permitir a votação segundo o modelo adotado nas eleições palestinas anteriores, possibilitando a participação de um número simbólico de eleitores.

Porém, segundo as previsões, nem mesmo esse número simbólico compareceu às urnas. Quando perguntados se iriam votar, muitos palestinos nas ruas se esquivam, parte deles disseram que não tem confiança em nenhum candidato, "pois todos são corruptos", e vários admitem que não iriam votar pois têm medo de possíveis represálias por parte das autoridades israelenses. Os palestinos de Jerusalém temiam que a votação para o parlamento palestino fosse interpretada como um sinal de "deslealdade" com Israel, de opção pela identidade palestina.

Israel ocupou Jerusalém Oriental na guerra de 1967 e logo depois da ocupação anexou a cidade, impondo a lei israelense na parte ocupada. Os moradores palestinos desta região receberam o status de residentes da cidade, com carteira de identidade israelense, porém sem a cidadania israelense.

O status de residência confere aos palestinos de Jerusalém vários "privilégios" que os palestinos da Cisjordânia não têm, principalmente o direito de circular livremente no território israelense e de trabalhar. Nessas circunstâncias a situação econômica dos palestinos de Jerusalém Oriental é bem melhor do que a situação daqueles que moram na Cisjordânia, onde o índice de desemprego é alto e existem muitas restrições à liberdade de movimento impostas pelas tropas israelenses. O principal posto de votação em Jerusalém Oriental foi instalado na maior agência do correio, na rua Salah Adin, perto do portão de Damasco da cidade velha.

Um funcionário do correio disse à que nesta agência foram registrados 3.550 eleitores. Mais 1,5 mil deveriam  votar em cinco agências menores.  Cerca de 2 mil policiais israelenses foram posicionados nas proximidades dos postos de votação, que foram abertos às 7h e fecharam às 19h. As urnas de Jerusalém Oriental serão levadas para a Comissão Central Eleitoral da Autoridade Palestina, em Ramallah.

A agência do correio na rua Salah Adin fica ao lado da maior delegacia israelense em Jerusalém Oriental e o local está cheio de viaturas policiais e barreiras. Um dos policiais no local disse que a polícia recebeu ordens de não entrar na agência do correio e não interferir nas eleições. Segundo porta-vozes palestinos, a votação em Jerusalém tem uma grande importância simbólica. Embora os números indiquem que a votação na cidade não deverá ter um impacto significativo nos resultados, para a Autoridade Palestina a implementação do direito de voto na cidade é uma questão de princípio. Os palestinos reinvidicam a parte oriental de Jerusalém como a futura capital do Estado Palestino e rejeitam a posição de Israel, que define a cidade como sua capital "indivisível e eterna".

Tags:
Edições digital e impressa