Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

A Economia Invisível da Amazônia

Quinta, 18 de Agosto de 2011 às 09:21, por: CdB

Há milênioscentenas de povos habitam a Amazônia. Durante a história (uns diriampré-história) os indígenas estabeleceram sistemas econômicos baseados no manejodos ecossistemas naturais e em cultivos capazes não apenas de coexistirem comecossistemas naturais, como também de enriquecê-los. Aliado a istodesenvolveram redes de intercâmbios de produtos bastante sofisticados, como oManako praticado por diversos povos dos Rios Purus e Juruá. Estes sistemaseconômicos foram capazes de gerar grande abundância de produtos. Fr. Carvajal,cronista da expedição de Orellana, ao chegar numa aldeia no ano de 1540escreve: "grande quantidade de carne, peixes e biscoitos, tudo com tantaabundância que era suficiente para alimentar uma força expedicionária de milhomens durante um ano inteiro” (CARVAJAL. Descubrimiento del Rio de lasAmazonas).

Essa diversidadefoi possível graças ao desenvolvimento de tecnologias de manejo e cultivo.Centenas, talvez milhares de espécies vegetais foram domesticadas, entre elas amacaxeira, o milho, o tomate, a batata, a pupunha e tantas outras. Também secriou tecnologia de utilização de diversos outros produtos como o açaí, abacaba, o buriti e a copaíba.

Com o processo daconquista européia esta fartura parece ter deixado de existir gradativamente.Período após período menos registros se fez sobre tal produção. Os registros daeconomia da Amazônia foram então se estabelecendo com base nos valores dasexportações de produtos que tinham um "bum” e depois decaiam. Pouco se sabesobre como as populações locais sobreviviam quando não estavam sendo exploradaspor sistemas de produção para exportação dos produtos.

Alguém que sededique a verificar com cuidado os dados históricos poderá verificar que existeum paradoxo entre os dados econômicos oficiais e a situação de bem estar damaioria da população amazônica: Quanto maior a economia, maior a fome e adegradação social.

Na atualidade,andando pelos recantos da Amazônia, se nota muitas zonas de bastante miséria.Mas também é possível encontrar muitos lugares onde a população consegue gerarabundância de alimentos e de alegrias, independente de estarem ligadas amercados externos.

Extremamenteacuadas pela pressão do capitalismo, as formas de produção que deram origem jánaqueles tempos a tamanha fartura continuam a existir. O problema de suainvisibilidade é primeiro um desinteresse político de quem vê a economia apenascomo crematística. Crematística é a arte de fazer dinheiro. "Como arte deadquirir, a economia se limita à obtenção dos bens necessários à vida e úteis afamília ou ao Estado. ‘A verdadeira riqueza consiste nesses [leia-se nos]valores-de-uso’ [...]. A crematística distingue-se da economia, por ser acirculação para ela a fonte de riqueza”. (Aristóteles apud MARX, O Capital,Livro I – O Processo de Produção do Capital). Um segundo fator é a falta demecanismos e instrumentos de mensuração destas economias.

O fato doseconomistas e dos governos fecharem os olhos para estas possibilidades deprodução fora do mercado de exportação e de não enxergarem as pessoas dointerior do Estado como sujeitos e como gente com direitos, continua ampliandoa miséria e a fome.

Essa situaçãoprecisa mudar. A visão meramente crematística não dá conta de atender asnecessidades da sociedade como um todo e, em inúmeros casos, tira o direito depopulações inteiras do acesso à condições básicas de vida digna. Além disto,tem causado profundos desequilíbrios ambientais que ameaçam inclusive aexistência da espécie humana no planeta. "Não é possível que a economia vá bemse as pessoas estão mal e se a ecologia está ruim” (ALIER, Da EconomiaEcológica ao Ecologismo Popular).

Diante dadiversidade Amazônica devemos, em especial, os economistas, sermos criativos aponto de criar formas de perceber e apontar caminhos que garantam segurança eesperança para um futuro bonito, alegre e de fartura.

Casa da Cultura doUrubuí

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