Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

À direita, volver

Quinta, 12 de Maio de 2011 às 03:10, por: CdB

Assim caminha a Europa, à direita e torta. O velho continente está sem liderança e, na prática, já sem consenso. Nesse passo, a União Europeia, como a conhecemos, deixará de existir em breve. As medidas que restabelecem os controles fronteiriços, adotadas pela França e Itália, demonstram não apenas o crescimento da direita e da xenofobia, mas a falência da atual liderança européia alemã. A Dinamarca, ainda mais radical, anunciou que vai restabelecer os controles de suas fronteiras com Suécia e Alemanha. "Os controles alfandegários serão retomados o mais rapidamente possível", disse, ontem, o ministro das Finanças, Claus Frederiksen.

É lamentável que a Alemanha se cale frente ao desmonte do Tratado de Schengen e ao abandono das políticas migratórias e de apoio a refugiados de guerra, consagradas pelas Nações Unidas. Principalmente diante de uma guerra promovida pela própria Europa na Líbia.

Ao mesmo tempo em que assistimos a ascensão da direita na Grécia, uma greve geral e manifestações gigantescas paralisam o país. A reação dos trabalhadores é uma demonstração concreta de que as medidas econômicas adotadas por imposição da União e do FMI, não têm respaldo nacional e suas conseqüências se farão sentir nas urnas nas próximas eleições. O mesmo vale para outros países, começando pela Alemanha, Espanha,Portugal,França e Itália.

A propósito. Vale lembrar que, quando países europeus apoiaram a decisão de intervir militarmente na Líbia, não lhes ocorreu uma decorrência óbvia dessa ação: a imigração em massa ao continente de líbios pobres, em fuga frente à matança que se instalou em seu país. É bom que se diga: os imigrantes não são o problema. São vítimas da situação.

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