Tradução: ADITAL
Ao fazer um balanço do ‘choque de trens’ que aconteceu nodia 2 de junho na Assembleia Legislativa, o saldo de assustados, golpeados,feridos e falecidos favorece à direita empresarial (Anep e Fusades), queconseguiram trepar o vagão do avanço democrático, causando forte impacto, demaneira especial, no presidente Funes, que sai gravemente ferido desseacidente; e, todavia, encontra-se hosítalizado.
A seguir, apresentamos quatro hipóteses sobre a situaçãoatual. A primeira é que a direita saiu fortalecida dessa crise; a segunda, éque o presidente Funes se debilitou; a terceira, que se formou um brechaperigosa entre os setores democráticos e revolucionários; e a quarta, que essacrise nas alturas do poder encontra-se com um movimento popular e social débile desorientado.
Uma direita audaz ecom visão de largo prazo
Dois anos se passaram até a direita decifrar o ‘enigma daEsfinge’, encontrar a fórmula para romper a aliança entre as forçasdemocráticas e forças revolucionárias, que permitiu a vitória, em 15 de marçode 2009, e conseguir provocar uma profunda crise institucional, onde oprincipal ferido grave é o presidente Mauricio Funes.
O que conseguiram com o Decreto 743. É uma direita audaz,que abandona seus instrumentos políticos que já não lhes são úteis e até seatreve a sair às ruas sob a cobertura da sociedade civil. Passou-se quase ummês desde que a direita desatou uma crise institucional que tem modificado apercepção cidadã sobre a validade do projeto de mudança e da ética de seusoperadores.
E, apesar de que a esquerda avance estrategicamente naconquista de novos territórios institucionais no Corte de Contas, TSE, RNPN,perdeu legitimidade ante a cidadania e isso é grave. Na política, a imagem e arealidade são irmãos gêmeos que exigem atenção. Deve-se ser e parecer.
A direita avançou. Tem clareza e conta com recursos.Torna-se urgente deter esse avanço. A direita conseguiu deslegitimar opresidente Funes e paralisar a Frente farabundo Martí de Libertação Nacional(FMLN). Conseguiu que entre os 4 magistrados da Sala da Constitucional e a FMLNse abra uma brecha. Isso é grave porque deveriam ser aliados naturais.Conseguiu vincular-se a setores do movimento popular e, inclusive, da esquerda.
Além disso, calculam que a vitória do candidato presidencialGeneral Otto Pérez, do Partido Patriota, na Guatemala, em setembro próximo,modificará a atual correlação de forças em âmbito regional, inclinando-a emdireção às forças conservadoras.
Um presidenteesgotado e confuso
Passou-se um mês e o presidente Funes, em vez de ressurgirvigoroso com uma proposta de solução à crise institucional, como se esperariado primeiro mandatário, a cada dia que passa se afunda mais em um redemoinhoque, inclusive, pode ameaçar e atrasar o processo de mudanças iniciado no 1º dejunho de 2009, como pode derrubá-lo de vez.
A decisão do presidente Funes de sancionar o Decreto 743pode ser qualificado como uma evidente demonstração de candidez ou como umapalpável ação cheia de astúcia. A história se encarregará de esclarecer-nos deque tipo de semente estamos falando. O evidente é que tal decisão do presidenteFunes terá custos que superam amplamente os avanços obtidos desde que iniciousua marcha triunfal, desde o coração da FMLN rumo à presidência, no estádio deCuscatlán, em 11 de novembro de 2007.
É um presidente rechaçado pela direita empresarial que se dáao luxo de regatear sobre o imposto à segurança e que a cada dia perde maisrespaldo dos setores populares, que observam preocupados que as medidas parapaliar a crise de segurança, de emprego e de alto custo de vida, não sãosuficientes. É um presidente paralisado. Se não fosse o apoio da FMLN, essegoverno já teria caído.
[em breve, a tradução completa].