Reunidos no Egito, os líderes dos países que integram a Liga Árabe divulgaram, neste sábado, um comunicado em termos fortes contra uma possível guerra no Iraque, mas também conclamaram o presidente Saddam Hussein a obedecer plenamente a todas as resoluções das Nações Unidas. A declaração final da cúpula traz outros dois pedidos: que uma delegação de alto nível, chefiada por Barein, visite Bagdad e que todos os membros do Conselho de Segurança da ONU divulguem a mensagem dos países árabes. Os governantes defenderam, ainda, a extensão do prazo para o trabalho dos inspetores de armas da ONU no Iraque e pronunciaram-se contra a adoção de qualquer ação militar alheia à aprovação do Conselho de Segurança. A declaração só não reiterou um comunicado divulgado no mês passado pelos chanceleres da Liga Árabe, que condenavam as nações árabes que abrigavam bases militares norte-americanas e, assim, "estavam facilitando" uma guerra. Convocada com o objetivo de mostrar a coesão do mundo árabe em relação à nova crise no Golfo Pérsico, a reunião de cúpula por pouco não se transformou em uma briga generalizada em seu começo. O presidente da Líbia, Moammar Gadhafi, atribuiu os problemas do Oriente Médio à presença de tropas norte-americanas na região e depois culpou Arábia Saudita, Kuwait e outros por terem envolvido Washington na Guerra do Golfo, há 12 anos. O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Abdullah, não gostou, revidou e acabou abandonando a reunião, no que foi acompanhado pelas delegações do Iraque e da Síria. "O reino da Arábia Saudita não é um representante do imperialismo", disse Abdullah, apontando o dedo para Gadhafi. "Não tente impor sua opinião neste conflito se você não está ciente dos fatos". O incidente foi contornado após o ministro do Exterior líbio procurar Abdullah e as duas delegações para explicar melhor a posição de Gadhafi e garantir que o presidente não teve nenhuma intenção de ofendê-los. A emissora de televisão egípcia que mostrava a reunião ao vivo suspendeu temporariamente a transmissão.