A discussão aberta pelo cineasta Roberto Berliner sobre o boicote de cópias de filmes em digital pelos festivais de Brasília e Gramado suscita algumas manifestações. Por que esses festivais não permitem o envio de longa-metragens em digital, quando outros, como o Festival do Rio, o fazem?
Berliner dirigiu A pessoa é para o que nasce, captado em digital, e participou com ele do último Festival do Rio, na Première Brasil. Os festivais de Brasília e Gramado exigem que os filmes sejam apresentados em película, em cópias de 16 ou 35 mm.
Essa discussão pertinente faz lembrar do início da internet. Com o surgimento do novo meio, proliferaram-se sites de toda a sorte, que traziam um novo tipo de jornalismo, o on-line, mais rápido e imediatista. Porém, os repórteres que vinham desses sites encontraram (e ainda encontram) preconceitos de assesores e até dos próprios colegas. Isso tudo porque vêm de um novo formato, que ainda não se fixou no segmento. Questões importantes foram levantadas. Fazer um site é muito fácil. Todo mundo pode fazer e passar a ser um repórter.
O mesmo pode-se dizer do cinema digital. Por ser muito mais barato, qualquer um pode fazer. Câmeras digitais são vendidas a toda a hora. Ilhas de edição domiciliares são cada vez mais comuns. Todo mundo pode fazer um filme em digital e passar a ser um cineasta. Daí vemos essa enxurrada de documentários e curta-metragens (a maioria desnecessário) que passam despercebidos por festivais e mostras.
A decisão dos festivais de Gramado e Brasília não deixa de ser elitista. Porém, é compreensível. Imagina credenciar todos os sites para cobrir um evento? Se cinema sempre foi visto como uma atividade de elite (por ser um exercício caro), a democratização dele não poderia ser tão fácil. Se o jornalismo, que não é elite, encontra todos esses problemas...
A democratização do cineasta e do jornalista
Terça, 07 de Dezembro de 2004 às 08:35, por: CdB