Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

A cruel honestidade do Presidente do IBAMA

Sexta, 15 de Julho de 2011 às 08:48, por: CdB

Finalmente alguém no poder é honesto em suas declarações.Quando Curt Trennepohl, presidente do IBAMA, disse a jornalista australiana queseu trabalho "não é cuidar do meio ambiente, mas minimizar os impactos” e que oBrasil vai fazer "com os índios o que os australianos fizeram com osaborígenes” (F.S.P, 15/07/11), foi de uma honestidade rara e cruel. Adeclaração é um horror, uma proclamação de genocídio.

Porém, é o que está diante de nossos olhos todos os dias. Atarefa do IBAMA é tentar por remendo novo em pano velho; isto é, amenizar osestragos feitos pelas grandes obras, seja de iniciativa particular ou oficial.A prevenção e a precaução não fazem parte do roteiro governamental.

A CPT, juntamente com o CIMI, sabe que anda muito sóultimamente nas suas lutas pelo campo. As populações mais vitimadas pelo modeloatual, e pelo governo atual, são exatamente os indígenas, quilombolas e comunidadestradicionais. Os Movimentos da Via Campesina se defendem melhor, até por suaproximidade com o governo. Porém, na hora da luta concreta, as comunidadestradicionais estão enfrentando uma solidão cósmica.

Porém, a honestidade do presidente do Ibama não anula adimensão cruel, anti-humana, que permeia a política desenvolvimentista atual.Antes, a prerrogativa do sacrifício humano pertencia às religiões. Os que têmdescendência bíblica acabaram com essa crueldade quando o Deus bíblico nãopermitiu que Abraão sacrificasse Isaac. Ele não precisava do sacrifício humano,embora judeus e cristãos depois tenham sacrificado multidões ao longo dosséculos. Mas, Astecas, Incas e outras tradições religiosas sacrificaram pessoasenquanto seus impérios duraram.

Hoje, a prerrogativa do sacrifício humano pertence aocapital. Ele decide quem deve morrer. E quem morre são indígenas, quilombolas,comunidades tradicionais e o meio ambiente.

Se quisermos manter um pingo de dignidade humana, devemosnos afastar não só da direita, mas também das esquerdas que aceitam osacrifício humano em nome do desenvolvimento, da revolução, ou de qualqueroutra causa onde a vida humana seja o combustível.

Na luta contra as mudanças no Código Florestal, Belo Monte,Transposição; enfim, contra o modelo predador imposto, podemos identificarperfeitamente quem é quem no Brasil de hoje.

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