Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

A crise: La Nave Va

Quarta, 24 de Agosto de 2011 às 07:53, por: CdB

Agora foi a agência de classificação de risco Moody's que rebaixou a nota da dívida soberana do Japão de Aa2 para Aa3. Em comunicado ela justifica que tomou a decisão diante do déficit orçamentário, das dívidas acumuladas pelo governo de Tóquio desde 2009 e pelo fato de o tsunami do início do ano ter atrasado a recuperação do país depois da recessão mundial de 2008/2009.

Mas, a agência dá uma no cravo e outra na ferradura: baixa a nota e ao mesmo tempo destaca que a perspectiva em relação ao Japão agora é "estável". Tanto que, com a atenuante e mais o fato de o rebaixamento da nota do país pela agência de classificação já ser amplamente esperado por todos os especialistas, a Bolsa de Tóquio abriu o pregão em alta e só caiu após os bancos se agitarem e recuarem em suas operações após a decisão da Moody's.

Que essas agências de risco estão desmoralizadas, nem se discute. A pergunta que fica, agora, pós-veredicto de uma delas sobre a dívida do Japão é: o diretor da Moody's será mandado para casa como fez o governo norte-americano em relação ao da  Standard & Poor's (S & P) que há alguns dias rebaixou a nota dos Estados Unidos?

Sim, porque o diretor da S & P, não saiu. Caiu. Foi derrubado pela pressão do governo dos EUA.

Mas, o ato da Moody's agora, em relação ao Japão, é mais um exemplo da farsa que é a atuação dessas agências. E, principalmente da necessidade de nós, brasileiros, compreendermos de uma vez por todas que predominam nas relações internacionais os interesses nacionais das economias desenvolvidas.

Compreendermos, portanto, que o Brasil tem que se defender sozinho, defender os seus interesses, ousar, sair a campo, trilhar caminhos inovadores (ainda que assim contrarie interesses externos), e deixar de seguir os cânones falsos dessas economias.Os exemplos a nos empurrar para esse caminho estão aí, diariamente.



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