Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

A corte portuguesa no Brasil

Por Uelinton Farias Alves - Neste dia 8 de Março de 2008, completam-se 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil. A despeito de todos os questionamentos – prós e contras existentes – esta data representa para brasileiros e portugueses um marco divisor de águas na política de relações internacionais que marcou indelevelmente os dois países. (Leia Mais)

Sábado, 08 de Março de 2008 às 07:11, por: CdB

Neste dia 8 de Março de 2008, completam-se 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil. A despeito de todos os questionamentos – prós e contras existentes – esta data representa para brasileiros e portugueses um marco divisor de águas na política de relações internacionais que marcou indelevelmente os dois países.

Não há como não supor que houve, entre essas duas nações, um diferencial geográfico e cultural, determinante para demarcar uma nova era diplomática e comercial entre Brasil e Portugal.

E isto se deve a quê? Para alguns analistas, deve-se à visão de estadista do príncepe regente de Dom João VI, que, ao pressentir ameaça iminente ao seu rico trono, transportou-se com toda a sua corte para terras brasileiras, possessão portuguesa nas Américas desde os Descobrimentos.

Posições e avaliações controvertidas à parte, o certo é que estudos e análises dos mais diversos teóricos europeus e americanos, alguns inclusive brasileiros, a exemplo de Luis Edmundo e Oliveira Lima, têm posto lenha à fogueira desta polêmica viagem aos trópicos de um monarca dito pimpão, mas que no fundo, visto agora pelo distanciamento histórico, possuía, em síntese, uma visão estratégica para salvar a coroa portuguesa das garras de Napoleão Bonaparte, cujas tropas ameaçavam a hegemonia do Império lusitano. 

Esta parte da história portuguesa e brasileira tem sido rotineiramente descrita ora como uma estratégia política de grande envergadura, ora como um recuo amedrontado de um monarca sem visão militar e sem comando dos seus domínios territoriais.

Esta visão maniqueísta da biografia de Dom João VI, no capítulo envolvendo à chegada da corte portuguesa pelo Brasil, revisitada agora quando se aproxima a data em que se completa os 200 anos da corte pelos trópicos, ocorrida em 1808, é um dos principais dilemas abordados no livro de Patrick Wilcken, intitulado Império à deriva – a corte portuguesa no Rio de Janeiro (1808 -1821) [Editora Objetiva, 326 páginas, 2007].

O Livro de Patrick Wilcken teve uma grande repercussão na imprensa e em todos os meios cultos internacionais. Na opinião de ninguém menos do que Claude Lévi-Strauss, a obra de Patrick Wilcken é “fascinante”. O tablóide inglês The Guardian o classificou como “brilhante” e o The Times Liberaty Supplement considerou sua leitura “excelente e prazerosa”.

Estes gestos e opiniões balizam o clima provocado desde o aparecimento da obra em todo mundo. No Brasil, não poderia ser diferente. Especialmente para a cidade do Rio de Janeiro, sobretudo por ter sido o local escolhido para a residência oficial da família real durante os 13 anos em que aqui morou.

Descritivo e bem documentado, o livro de Patrick Wilcken nos proporciona uma boa noção do ambiente político internacional da época, os aspectos sobre a saída do monarca de Portugal (ou a fuga, como querem alguns estudiosos do tema), bem como o dia-a-dia passado na terra calorenta mas acolhedora (com algumas controvérsias) do povo carioca e fluminense.

Até hoje poucas narrativas publicadas estão fidedignamente fiéis aos fatos daquele período, dir-se-iam quase épicos, da família real portuguesa. O episódio faz lembrar de longe a saga descrita pelo talento de Luis de Camões, de exaltação à heroicidade pátria, através do longo poema Os lusíadas.

Dom João VI, de acordo com os relatos da época, era um homem de “gostos aristocráticos simples”, que apreciava longos banquetes, nos quais consumia uma prodigiosa quantidade de carne de veado e aves, sobretudo frangos e galinhas. No filme Carlota Joaquina – rainha do Brasil, de Carla Camurati, a fama de comilão e de lesado deu o tom da personalidade do monarca lusitano na película brasileira.

Já Dona Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI, primeira regente e depois rainha de Portugal, era uma personalidade extravagante e difícil de ser engolida. Na fase portuguesa, dizia-se que ela tramava contra o pró

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