Depois de quase três semanas sem conseguir me concentrar para escrever um texto por motivos de saúde, finalmente ontem, dentro de um taxi, embalada por um papo animado com o motorista, me veio um tema: a prevenção. Depois de viver na pele uma situação que eu poderia ter evitado – em nome, neste caso, da minha própria saúde - chego à conclusão de que a grande maioria das pessoas deste planeta faz exatamente isso: deixa tudo para a última hora. Maria Beatriz Whitaker Penteado
Procura-se um médico apenas quando a dor se tornou insuportável e aquele “remedinho” caseiro não faz mais efeito. Procura-se um analista quando já tentamos nos jogar da janela umas três vezes. Vamos ao mecânico quando nos tornamos protagonistas de um acidente de trânsito – porque o freio do carro estava péssimo. Porque que agimos de forma tão inconsciente e irresponsável com nossas próprias vidas – e a dos outros?
O taxista vinha me contando que acabara de perder um amigo de 41 anos. O cara era obeso, sofria de diabetes e problemas no fígado. Bom, eu tenho 41 anos e posso afirmar, com facilidade, que sou praticamente uma obsessiva com a minha saúde. Isso não me transforma numa pessoa melhor ou indestrutível, claro. Até porque acidentes acontecem. O episódio que vivi recentemente provou isso, inclusive. Mas o que eu venho aprendendo na tentativa de evitar, ao máximo, os acidentes, posso usar a meu favor e também para ajudar os outros.
Por exemplo: adquiri um considerável conhecimento a respeito do funcionamento do corpo humano. Isso me motivou a falar para aquele taxista que perdeu o amigo diabético – claro que de uma forma bastante resumida - que determinados alimentos podem ajudar da depuração do sangue, e que isso pode ajudar os órgãos a funcionarem melhor. A partir daí, não só a sua saúde mas a sua atitude, o humor e a energia podem mudar para melhor. Está tudo interligado. Ele me escutou com atenção.
Acredito que podemos fazer a diferença num mundo assolado pela falta. Falta de respeito, falta de educação e, principalmente, falta de comunicação. Comunicar é uma atitude prática e saudável e que pode, porque não, fazer toda a diferença na vida de alguém. O importante é doar conhecimento de forma generosa, sem arrogância. Eu jamais saberei se fiz alguma diferença na vida daquele taxista. Mas que ele certamente ficou com a pulga atrás da orelha, isso ele ficou. Ainda bem.
Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026
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