Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

A Cidade é de Deus, não do Oscar

A Cidade é de Deus, não do Oscar

Segunda, 01 de Março de 2004 às 07:18, por: CdB

A coluna não tem a menor simpatia em assistir ao Oscar. Não é elitismo, é falta de paciência mesmo. As festas são lentas, cheias de números musicais cansativos, homenagens demasiadas e premiações quase sempre pouco satisfatórias. Além do mais, a premiação é voltada majoritariamente para a produção americana, ignorando grande parte dos filmes europeus, asiáticos, africanos e latino americanos (leia-se, a grande maioria das produções).
 
Neste ano, ao assistir ao Oscar em duas TVs (uma ao lado da outra), foi constatado que:
 
1) o atraso de cinco segundos na transmissão entre a TNT e o SBT, atraso esse que serviria para interromper a transmissão caso ocorresse algum problema, indica a bitolação americana: na TNT víamos o que a TV ianque via (com o atraso), no SBT, víamos com sinal direto para a América Latina (tempo real) - de modo que, se desse algum problema, só nós veríamos, o povo americano ficaria "intacto" (algo parecido aconteceu há décadas atrás na transmissão de um discurso do presidente Nixon, o sinal veio antes para cá e pôde ser visto um lado bem diferente do líder americano, que depois ficaria sério).
2) a maneira como o curta-metragista vencedor foi "arrancado" do palco é uma mostra de como o evento é frio e autoritário.
3) é muito mais interessante assistir a premiação com dois televisores - enquanto o Oscar não vinha para as mãos dos brasileiros, o Canal Brasil passou o making of de Cidade de Deus, debates excelentes em torno do filme realizados em São Paulo, o curta que originou o filme, Palace II, e um outro curta dirigido por Fernando Meirelles.        
4) A coluna torceu por Meirelles e companheiros, mas não teve jeito. Vamos acabar sendo o primeiro país a concorrer em todas as categorias do Oscar e não ganhar em nenhuma.

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