Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

A catolicidade do novo Papa

Segunda, 25 de Abril de 2005 às 17:29, por: CdB

José Oscar Beozzo, historiador da Igreja, assinala que, ao contrário do que pensam muitos ocidentais, o catolicismo não é uma confissão religiosa com uma só cara: a romana. Chamo de confissão religiosa porque o catolicismo é um dos ramos da frondosa árvore da religião cristã. 
O papa Bento XVI terá, sob seus cuidados, fiéis espalhados por 240 países, nos quais os católicos são pouco mais de 1 bilhão da população mundial, o que representa 52,8% do número de cristãos.

É na liturgia que uma Igreja tem a sua marca registrada. A católica conta com seis ritos litúrgicos diferentes: o latino, adotado na maioria das paróquias brasileiras, e mais cinco orientais (bizantino, caldeu, antioqueno, alexandrino e armeno). Não se pense que o latino é uniforme. O progressivo processo de inculturação da Igreja faz com que ele adquira conotações distintas em Roma, Fortaleza, Manila ou Goa.

O rito bizantino é adotado por católicos ucranianos e russos e pelas Igrejas grecocatólicas: fiéis do patriarcado de Antioquia, Alexandria e Jerusalém; romenos e búlgaros; fiéis da Sérvia, da Macedônia e da Croácia; da República Tcheca e da Eslováquia; ítalo-albaneses orientais com dioceses na Albânia e no sul da Itália; paróquias da Calábria e de Piana, na Sicília; a abadia de Grottaferrata.

O caldeu predomina entre os caldeus-malabares da Índia e é encontrado em comunidades da Sérvia e do Iraque. O antioqueno tem sua maior expressão nos maronitas do Líbano e entre fiéis da Síria, do Líbano, da Palestina e, como todos os demais ritos, entre comunidades emigrantes.

O alexandrino é o rito dos coptas católicos do Egito e dos católicos da Etiópia. O armeno é encontrado na Armênia e entre emigrantes daquele país.

Até o Concílio de Trento (1454-1463) o catolicismo romano era conhecido como Igreja Latina, em oposição ao Oriente cristão. Muito antes de Lutero, a Igreja rachou em 1054: as comunidades do Oriente se recusaram a ser governadas pelo bispo de Roma, o papa, e passaram a se denominar "ortodoxas", em contraposição à latina que, segundo elas, havia se desviado da ortodoxia.

Com a cisão provocada por Lutero (séc. XVI), a Igreja Latina passou a ser conhecida como Igreja católica, apostólica, romana. Os católicos vinculados aos Patriarcados orientais, e conhecidos desde o século V por "melquitas", aceitam a autoridade do papa, mas não admitem ser chamados de "romanos" ou "latinos".

Dentro da Igreja católica há igrejas que conservam identidade própria. A de Milão adota o rito ambrosiano, do século V. A de Toledo, na Espanha, o rito mozarábico em algumas paróquias e capelas. E nós, frades dominicanos, temos também rito próprio.

Dados de 2002 indicavam que 32,9% da população mundial era cristã (cerca de 2 bilhões de pessoas); 19,8, muçulmanos; 13,3 % hindus; 12,5% não religiosos (indiferentes, agnósticos, livres pensadores); 6,6% outras religiões; 6,4% religião popular na China (deidades locais, veneração de antepassados, taoísmo etc.); 5,9% budistas; 2,4 ateus; e 0,2% judeus. (Fonte: Encyclopaedia Britannica - Book of the Year 2003, p. 306).

Dois terços da humanidade não são cristãos (67,1%). E nos últimos anos tem sido regressivo o número de cristãos e progressivo o de muçulmanos (1,2 bilhões de fiéis).

No Brasil são católicos 73,9% da população. Em 1991 éramos 83% e, em 1980, 89%. Essa redução ocorre por vários motivos, entre os quais elenco a dificuldade de a Igreja católica profissionalizar seus meios de comunicação, como o fazem as Igrejas evangélicas; desclericalizar o trabalho apostólico; e de investir mais na pastoral da juventude.

Procure-se um templo católico às 3h da tarde. Salvo exceções, estará fechado, cercado de grades, sem quem atenda o fiel. Faça o mesmo numa Igreja neopentecostal às 3h da madrugada: à bocarra aberta na calçada, entrada de antigo cinema, estará um pastor preparado para encaminhar ao novo redil a ovelha desgarrada.

Queira Deus que o papa Rat

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